Texto e foto: Marcos Anubis
Revisão: Pri Oliveira

20160528_143956_1

Funk (americano, brasileiro e africano) das décadas de 1960/1970, Afrobeat, Reggae Roots, Dub e Música Popular Brasileira. Todos esses ritmos muito diferentes entre si forjam a identidade musical da banda curitibana Central Sistema de Som. “São nossas referências. A Central busca representar, por meio de grooves e ideias, a miscigenação natural dos grandes centros urbanos”, diz o guitarrista Rogério Fortunato.

O grupo é formado por Caetano Zagonel (baixo e vocal), Gui Miudo (guitarra, percussão e vocal), Ian Giller Branco (bateria e steel drum), Mariana Souza (flauta e vocal) e Rogério Fortunato (guitarra e vocal). Todos já possuem uma história escrita dentro da cena musical da cidade. “O Caetano é nosso baixista, compositor e produtor. Ele vem da cena Rock autoral independente dos anos 1990. Já o Gui Miudo é multi-instrumentista, produtor e compositor. Ele tem uma pesquisa focada em percussão popular e atua em diferentes grupos de samba, choro e instrumental brasileiro”, explica Mariana.

O caldeirão sonoro

A história da Central Sistema de Som começa em 2009. Desde o seu início, o grupo procurou pesquisar e absorver os ritmos que queriam fundir em sua música. “Quando o projeto começou, nós discutíamos bastante sobre o conceito, a mescla de gêneros e as diferentes sonoridades de cada época. Intensificamos a nossa pesquisa principalmente na música negra de diferentes lugares do mundo, através da cultura do vinil e da internet”, explica Caetano Zagonel.

Ouvindo as músicas da banda, essas influências são bem evidentes, mas tudo conduzido por um forte suingue que caracteriza as suas composições. “Esse suingue que você citou, oriundo da música de matriz africana, sempre nos chamou muito a atenção, principalmente por estar incorporado à musica popular brasileira. Esse é o caminho que seguimos. A bagagem musical de cada um, somada às pesquisas e à busca de um som que seja sincero e original!”, explica Mariana Souza.

Atualmente, a banda está trabalhando em seu terceiro álbum. Os dois primeiros são “Pés do Gigante” (2013)  e “7 Bilhões de Vozes” (2015). O novo CD deve trazer todo o ritmo que o grupo impõe ao vivo. “Estamos no meio do processo de gravação. Ainda não sabemos quantas faixas e nem o nome do álbum. Para nós, isso surge de forma natural durante o trabalho de produção”, explica Gui.

Central no Estação

No último mês de maio, a Central se apresentou no festival Estação Pedreira, que foi realizado na Pedreira Paulo Leminski e reuniu mais de 40 atrações locais e nacionais. Na visão de Mariana, essa foi uma grande oportunidade para mostrar o som da banda a um público maior. “Festivais são lugares de efervescência musical, cultural e artística! É um prato cheio para bandas mostrarem seu repertório e sua performance para um público diferente. Há pessoas que se identificam com o que estão vendo e ouvindo e outras que não. Nós damos muita importância a esses eventos, eles sempre geram reflexões importantes para o crescimento da banda”, diz.

Essa foi a estreia da Central em um festival de tamanha importância. O palco no qual a banda se apresentou ficava logo na entrada da Pedreira. Por esse motivo, todo o público que entrava para ver os shows passava por ali. Levando em conta o número de pessoas que paravam para ouvir o som do grupo, a Central chamou a atenção. “Foi o primeiro festival grande que participamos em Curitiba e, para nós, é fundamental esse contato com grandes produtoras. Ali, nós tivemos a sorte de reencontrar o Marcelo Alves Bezerra”, conta Gui.

O reencontro rendeu uma participação no show dos curitibanos. “Ele é um engenheiro de som que conhecemos na Virada Cultural de 2014, em que a Central teve o prazer de abrir o show do Moraes Moreira e o Marcelo fazia parta da equipe técnica dele. No Estação, ele veio trabalhar com o Planta & Raiz e acabou fazendo o nosso show também, dando aquele peso fundamental para o groove”, complementa.

A Central Sistema de Som surge como uma grande promessa da atual música curitibana. Mas, mesmo fazendo um som criativo, a banda admite que a luta para se manter viva no cenário da música autoral em Curitiba ainda é complicado. “É difícil! Nós pretendemos, por meio do nosso trabalho, buscar ampliar, difundir e fomentar a cena de arte independente da cidade”, finaliza Caetano.

Confira duas músicas do show do Central Sistema de Som no festival Estação Pedreira: “Jacarandá” e “Obété OMU”.