Texto: Marcos Anubis
Fotos e revisão: Pri Oliveira

dee snider 2

A apresentação do cantor norte-americano Dee Snider na Ópera de Arame, que aconteceu nessa quinta-feira (21), foi uma grande celebração do Rock’n’roll. Snider, que está com 64 anos de idade, impressionou o público com uma voz perfeita e muita intensidade durante todo o show.

A abertura foi das bandas curitibanas The Secret Society e DevilSin, que também puderam mostrar trabalhos autorais excelentes para o público.

dee4

Dee Snider

O mundo do Rock’n’roll é repleto de figuras emblemáticas que, por vários motivos, representam o estilo de alguma maneira. Dee Snider, por exemplo, está ligado há mais de 30 anos a algo que o Rock vem perdendo nos últimos tempos: a intenção explícita de ir contra as regras e o status quo imposto pela sociedade.

Nos anos 1980, as músicas e os clipes do grupo eram uma afronta às atitudes que as pessoas consideravam “normais”. O maior exemplo é “We’re not gonna take it”, que mostrava a banda destruindo a aura de “família perfeita” vendida pela mídia norte-americana.

O próprio visual dos integrantes do Twisted Sister, que usavam roupas femininas, cabelos armados e uma maquiagem pesadíssima, estimulava a aversão por parte dos conservadores. Ironicamente, essa era exatamente a intenção da banda.

dee3

Peso e carisma

“Lies are a business” e “Tomorrow’s no concern” abriram a apresentação. No repertório do show, Snider obviamente apresentou alguns clássicos do Twisted Sister, como “You can’t stop rock’n’roll” e “I wanna rock”. O cantor ainda surpreendeu o público ao incluir no setlist uma faixa dos tempos de Widowmaker, a pesada “Ready to fall”, e “Under the blade”, do Twisted Sister.

Os shows no Brasil fazem parte da turnê de divulgação do mais recente álbum de Snider, o excelente “For the Love of Metal”, lançado no final do ano passado. O disco traz o vocalista em plena forma, cantando muito bem e acompanhado por músicos excelentes.

Além disso, o CD também conta com vários convidados especiais, entre eles, a vocalista do Arch Enemy, Alissa White-Gluz. O resultado final foi uma sonoridade que lembra muito o álbum “Nomad” (2000), de Paul Di’anno. Todas essas características fazem com que esse seja o melhor trabalho da carreira solo de Snider.

Em “We’re not gonna take it”, todo o público cantou à capela um dos refrões mais emblemáticos do Rock’n’roll. Já na belíssima “The price”, um dos melhores momentos do show, Snider lembrou a morte do baterista do Twisted Sister, A.J Pero, e do guitarrista Randy Rhoads, que integrava a banda de Ozzy Osbourne no início dos anos 1980.

Como uma espécie de homenagem, ele pediu que o público acendesse as luzes dos celulares durante a música. A própria letra da canção, que fala sobre os sacrifícios que qualquer pessoa faz durante a vida, faz os fãs lembrarem empiricamente da morte de Pero.

O único ponto negativo da noite foi o público que ocupou somente metade da Ópera de Arame. Quem não foi certamente tem motivos de sobra para lamentar. O problema é que situações assim jogam contra Curitiba, pois muitas bandas que têm feito turnês pelo Brasil não estão passando pela capital paranaense justamente pela falta de resposta do público.

“For the love of Metal” e uma versão para “Highway to hell”, do AC/DC, encerraram a apresentação. Confira a música “The price”, gravada ao vivo no show na Ópera de Arame. Veja também o álbum de fotos da apresentação.

Dee Snider - Ópera de Arame - 21/03/2019

secret1

The Secret Society

O trio curitibano The Secret Society abriu a noite na Ópera de Arame com um show marcante. Guto Diaz (baixo e vocal), Fabiano Cavassin (guitarra) e Orlando Custódio (bateria) iniciaram o show com “Beyond the gates” e “Fields of glass”.

A TSS talvez seja a banda curitibana que mais vem crescendo musicalmente nos últimos dois anos. Formado em 2017, o grupo tem se destacado com uma mistura criativa que está no limiar entre o Heavy Metal do Paradise Lost e o Rock/Pós-punk do The Cult, do Killing Joke e do The Mission.

Juntar todas essas influências não é uma alquimia fácil de ser alcançada, mas a trajetória do trio curitibano justifica o resultado. Afinal, Guto fez parte do Epidemic, banda formada em 1986 e que foi uma dos primeiros grupos de Thrash Metal da capital paranaense.

No mesmo período, Fabiano fez parte do Abaixo de Deus, outro grupo pioneiro no heavy Metal curitibano. Já nos anos 1990, os três músicos da Secret formaram o Primal, que utilizava elementos do Rock Industrial feito na época por grupos como o Nine Inch Nails, o Tool e o Einstürzende Neubauten.

secret2

Peso e ambiências

Ao vivo, a performance da The Secret Society chama atenção pelo equilíbrio entre o peso das distorções e o clima etéreo das ambiências criadas pela trinca delay/chorus/flager na guitarra de Fabiano.

No setlist, além das faixas que já faziam parte do repertório, como “Mephistofaustian transluciferation” e “Rites of fire”, a banda também mostrou duas músicas inéditas: “Rubicon” e “The final cut”, que será lançada como um single nos próximos meses.

“The architecture of melancholy” encerrou a apresentação. Além da oportunidade de tocar para um grande público, a chance de trocar ideias com um dos ícones do Heavy Metal ficará marcada para sempre na memória da banda. “Foi brutal! Tivemos uma ótima receptividade do público que aplaudiu e agitou bastante. O Dee Snider é uma lenda viva e foi superatencioso conosco, assim como toda a banda e a equipe dele. O Orlando teve a oportunidade de passar bastante tempo com o Snider, pois o levou de carro na sexta-feira para São Paulo. Durante a viagem, eles conversaram bastante sobre assuntos diversos como cinema e música. O Snider ouviu nossos três singles no Spotify e assistiu ao videoclipe da ‘The architecture of melancholy’ e gostou bastante”, diz Guto.

Confira a música “The final cut”, gravada ao vivo no show na Ópera de Arame. Veja também o álbum de fotos da apresentação.

The Secret Society - Ópera de Arame - 21/03/2019

devil

Devil Sin

Em seguida, o quarteto DevilSin apresentou um som baseado nas raízes do Heavy Metal tradicional de grupos como o Judas Priest ou o Grave Digger. E dentro desse espectro, a banda executa muito bem o som que se propõe a fazer.

Kevan Gillies (vocal), Ian Axel Gillies (guitarra), Khaoe Rocha (baixo) e Giovanni Vicentin (bateria) abriram o show com “Suicide machine”, “Take me to hell” e “Creatures”. Esse foi o segundo show grande da banda em um período de duas semanas. No dia 16, o grupo se apresentou no Motörhead Day, que aconteceu no Tork’n’roll e contou com a presença do ex-baterista do Motörhead, Mikkey Dee.

devilsin2

Experiência no palco e peso nas composições

Kevan domina muito bem o palco, o que faz toda a diferença em shows maiores como esse. Já musicalmente, a formação renovada do DevilSin tem como fio condutor os riffs criativos de Axel, que constroem toda a estrutura das músicas.

O DevilSin encerrou a apresentação com “Evil rises”. Durante a música, vários “zumbis” entraram no palco para ilustrar a letra da canção. “Abrir para o Dee Snider foi algo especial. No último show do Twisted Sister em Curitiba, eu trabalhava na segurança da banda. No final do show, o Dee me falou: ‘estou com 58 anos e eu ainda chuto traseiro’! Essa foi a motivação que eu precisava para voltar ao meio musical e montar o Devil Sin”, diz Kevan.

Confira a música “Suicide machine”,  gravadas ao vivo no show na Ópera de Arame. Veja também o álbum de fotos da apresentação.

DevilSin - Ópera de Arame - 21/03/2019