Texto: Marcos Anubis
Fotos e revisão: Pri Oliveira

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A mistura de Música Flamenca com uma dose de Rumba e Pop Latino fez muito sucesso no mundo nos anos 1980/90. Naquela época, um dos grandes nomes desse estilo foi o Gipsy Kings. Hoje, 31 anos depois, o grupo continua fazendo shows e empolgando os fãs ao redor do mundo com o força rítmica desses estilos.

Nessa quinta-feira (25), na Expo Unimed, foi a vez dos curitibanos assistirem ao vivo os grandes sucessos das três décadas de estrada do Gipsy Kings.

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Com o local lotado, a banda abriu o show com um tema instrumental seguido por “Rumba tech” e “Djobi, djoba”. O setlist contou com músicas de todas as fases da carreira do grupo, entre eles, “Senorita”, “Baila me” e “Hotel California”, versão para o original do The Eagles.

A Expo Unimed é um grande pavilhão de eventos. No local, foram colocadas mesas para o público se acomodar, mas, obviamente, depois de duas ou três músicas, todos já estavam em pé, dançando e cantando com a banda.

Nicolas Reyes (vocal principal e violão), Tonnino Baliardo (violão solo), Pablo Reyes, Canut Reyes, Patchai Reyes, Andre Reyes, Diego Baliardo e Paco Baliardo (violões) são músicos talentosíssimos. Durante o show, em muitas ocasiões, a banda tinha cinco violões ao mesmo tempo nas músicas, o que gera uma massa sonora marcante. As canções do Gipsy Kings são fortes, com um intenso trabalho melódico feito por todos os violões de forma independente. O peso é complementando pela percussão, uma das maiores características da Música Flamenca.

Todos os músicos da banda, aliás, mostram um grande domínio da técnica flamenca de tocar violão, mas Tonnino Baliardo se destaca um pouco mais porque faz com maestria os solos das canções, o que exige ainda mais virtuosismo.

Antes de “Um amor”, Nicolas disse: “Senhoras e senhores, quero cantar esta música com o meu coração”. De fato, o vocalista interpreta as canções com toda a aura “caliente” que os ritmos latinos exigem, e o público percebe isso de forma muito clara.

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Alma cigana

As raízes do Gipsy Kings remontam ao duo formado no final dos anos 1960 pelo pai de Tonnino Baliardo, Manitas de Plata, e por Jose Reyes, pai de Nicolas Reyes. A história da dupla é bem interessante porque os dois fugiram da região da Cataluña durante a Guerra Civil Espanhola, na década de 1930, e viram na música uma maneira de seguir a vida. Os integrantes atuais da banda são originários dos assentamentos ciganos das cidades de Arles e Montpelier, no sul da França.

O Gipsy Kings alcançou o sucesso mundial em 1987, com o lançamento do CD homônimo que trazia os clássicos “Bamboléo” e “Djobi, djoba”. O mais recente trabalho do grupo é “Savour Flamenco” (2016). Até hoje, o grupo já vendeu mais 20 milhões de álbuns.

Um fato interessante é que, quando a banda começou a se destacar, o Gipsy Kings era rotulado de World Music. Na visão do mercado fonográfico da época, o grupo misturava a Rumba Gitana, ritmo oriundo da América do Sul, com os violões flamencos.

Porém, a banda não concordava muito com essa alcunha, afinal, o termo World Music era muito amplo. Na época, por exemplo, ele era usado para identificar os estilos de inúmeros artistas, como o cantor, músico e compositor norte-americano Paul Simon e o trabalho solo do ex-líder dos Talking Heads, David Byrne.

Polêmicas à parte, o sucesso da banda em todo o mundo foi impressionante. Entre os prêmios colecionados pelo grupo durante a carreira, estão o Grammy Latino de “Melhor Álbum Pop”, em 1993, e o Grammy de “Melhor Álbum de World Music” em 2013.

Depois do megassucesso “Bamboléo”, a banda saiu brevemente do palco. Na volta, o grupo encerrou o show com “Vamos a bailar” e “Volare”. Na sequência, toda a banda se retirou, deixando apenas Nicolas Reys, que agradeceu o público e, antes de se despedir, cantou à capela a música “A mi manera”, uma versão para “My way”, de Frank Sinatra.

Confira a música “Volare”, gravada ao vivo no show do Gipsy Kings na Expo Unimed e veja também o álbum de fotos da apresentação.

Gipsy Kings - Expo Unimed - 25/10/2018