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Motorocker, banda é cada vez mais respeitada pelo público curitibano (Foto – Marcos Anubis/Cwb Live)

 

Curitibanos são pacatos, não saem de casa e não gostam dos artistas locais. O Motorocker provou no último sábado (1), no show que encerrou a primeira noite do Curitiba Rock Carnival, que com uma boa divulgação, estrutura e apoio o rock curitibano é viável e acessível ao grande público.

O quinteto subiu no palco, montado no estacionamento da Câmara Municipal de Curitiba, ao som de “Pegada Seca”. No final da música o vocalista da banda, Marcelus, visivelmente emocionado, resumiu o sentimento de músicos e pessoas que trabalham com cultura em Curitiba, onde ela raramente é tratada com o valor que merece.  “Que bom que eu estou vivo para ver isso na minha cidade”, declarou. Logicamente que o fato do festival ser gratuito deve ser levado em consideração. Mas esse argumento usado pelo tradicional autofagismo curitibano cai por terra quando se via claramente que boa parte do público sabia cantar as músicas da banda.

Um dos pontos altos do show foi, sem dúvida, a música “Salve a Malária”, que se tornou quase um hino para o público curitibano que gosta de rock. A letra narra a “saga” que qualquer jovem que mora em Curitiba enfrenta, pelo menos uma vez em sua existência. “Muita gente ordinária não respeita a malária. Botina velha e roupa escura. É da paz, mas dá porrada em quem procura. E quando sobra um troquinho, malária vai pro Largo tomar tubão e coquinho atrás de mulher, cerveja, substâncias e rock and roll”, canta Marcelus. O vocalista, aliás, parece talhado para comandar grandes multidões, pois age de forma tranquila, simpática e segura em suas intervenções. Em “Bem Estar”, por exemplo, Marcelus chamou várias mulheres da plateia para subirem ao palco e dançarem ao som da música. “A chamada é sedutora. Quando vejo já estou no palco e é assim que me sinto viva. Preciso ter coragem porque sou a diaba mais velha, mas amo”, diz a funcionária pública federal Gilceia Pacheco Nascimento, de 53 anos.

A energia do show e a sinergia com o público estavam tão fortes que até os seguranças do evento estavam cantando as músicas junto com a banda. “Igreja Universal do Reino do Rock”, com sua letra sarcástica, foi outra música recebida com entusiasmo. “Rogai por nós, oh deuses do rock. Mantenham-nos longe da música pop e que se explodam essas modas do inferno. Estas drogas passam, mas o rock é eterno”, diz o texto.

“Os caminhos e as verdades da vida” encerrou uma apresentação que certamente será inesquecível para a banda. Com mais de 20 anos de estrada, o Motorocker vem colhendo os frutos de uma luta incessante, com shows por todo o país e uma relação muito próxima com seu público.

Usando a fórmula básica do rock and roll, com riffs marcantes e letras falando da realidade dos fãs de rock, o Motorocker vem conquistando fãs dentro e fora do estado. A banda está gravando um novo álbum que deve ser lançado, provavelmente, no próximo mês de agosto. Talvez seja o passo que falta para o grupo conquistar de vez o país. Leia neste link a entrevista que banda concedeu ao Cwb Live recontando toda a sua história.

Confira as músicas “Pegada Seca” e “Bem Estar” e “Igreja Universal do Reino do Rock”.