Texto: Marcos Anubis
Foto: Gentilmente cedida por Andre Smirnoff

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O Rock curitibano é resistente. Mesmo com todos os obstáculos que sempre se ergueram em seu caminho, ele nunca baixou a guarda. No último sábado (28), no festival Estação Pedreira, o Motorocker deu mais uma prova disso.

Afinal, considerando o cenário de apoio (ou falta de) à música autoral de Curitiba nos últimos 40 anos, quando alguém imaginaria que uma banda local estaria no palco principal da Pedreira Paulo Leminski pela segunda vez em três anos?

O show

“Pegada seca” abriu a apresentação, seguida de “Igreja universal do reino do Rock” e “Rock na veia”. Marcelus dos Santos (vocal) Luciano Pico e Thomas Jefferson (guitarras), Silvio Krüger (baixo) e Juan Neto (bateria) estão cada vez mais viscerais ao vivo.

Durante o show, os integrantes da banda demonstravam em cada nota e, no caso de Marcelus, em cada palavra de suas letras, a ferocidade com que arrancaram um lugar ao sol no Rock brasileiro. O setlist teve sete músicas, pois três não foram executadas em função do pouco tempo que a banda tinha para se apresentar.

Na parte final do show, “Salve a malária”, um dos hinos do Rock curitibano, fez toda a Pedreira cantar. Durante a música, Marcelus agradeceu e elogiou a “galera do fundão” que estava atrás da área vip e participava bem mais do show.

“Salve a malária” costuma ser o ponto alto dos shows do Motorocker, mas dessa vez a sensação era de que Marcelus estava cantando ainda com mais energia e ferocidade. Possuído, Luciano Pico também encarnou um solo fantástico, iluminado pelos holofotes da torre de luz. Surreal.

A banda encerrou a apresentação com “Rock Brasil” e seu refrão incisivo: “Pragas no solo da mãe gentil. A doença usa terno e gravata. O voto alimenta os vermes que consomem a nossa pátria”. Para quem acompanha a música curitibana há mais tempo, foi um orgulho ver uma banda local como uma das atrações principais no maior palco da cidade.

Confira dois vídeos do show: “Salve a malária” e “Rock na veia”