Texto: Marcos Anubis
Fotos e revisão: Pri Oliveira

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A terceira noite da 18ª edição do Psycho Carnival aconteceu no domingo (26), no Jokers, em Curitiba. O line up contou só com bandas nacionais e foi um dos mais concorridos do festival.

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Os Fritz da Puta

O trio de Jaraguá do Sul, Santa Catarina, fez a sua estreia no festival. James Dinho (guitarra e vocal) Edson “Velho” (bateria e vocal) e Gustavo “Bob Son” (baixo e vocal) fazem um som com características bem pesadas.

A banda abriu o show com “Moedor de carne”. O Fritz tem uma ligação antiga com o Psycho Carnival. Afinal, seus integrantes vêm para Curitiba assistir ao festival há dez anos seguidos.

A banda, inclusive, nasceu durante o Psycho Carnival de 2012 e lançou seu primeiro EP no ano seguinte, também durante o evento. “O festival tem uma força muito grande no sentido de juntar pessoas dos mais variados locais do Brasil e do mundo. Ele acaba virando uma meta para as bandas durante o ano. Elas buscam o melhor de si com a intenção (mesmo que não declarada) de querer fazer parte da festa. Já o público sabe que encontrará ali o melhor do estilo feito no país e de ‘brinde’ as atrações internacionais que dispensam comentários. Nossa banda formou-se durante o festival de 2012. Veja que importância ele tem pra nós!”, elogia Edson.

Em sua fanpage, o Fritz da Puta define seu som como Psychobilly Transgressor. “O termo foi dado pelo Ademir (vocalista do Ovos Presley) em um show que fizemos no Lino’s. Vem de uma época em que a gente levava alguns caixões para o show e o pessoal detonava eles. Era bem caótico. Depois, por ‘sugestão’ minha (e a contragosto dos demais integrantes) deixamos de levá-los. Hoje, o foco maior é nas músicas”, explica.

De acordo com o baterista, o Psychobilly Transgressor do Fritz da Puta reflete as influências de seus integrantes, mas não tem a intenção de uma cópia de alguém. “A nossa meta é fazer um som que não lembre nada do que já existe. Nossas músicas têm Punk, Garage Rock, Indie, Surf e até Grindcore”, explica.

Nos últimos anos, Santa Catarina tem revelado boas bandas psycho. Essa edição do Psycho Carnival teve, além do Fritz, o grupo Tampa do Caixão, de Joinville, que tocou pelo terceiro ano seguido no festival.

Mesmo assim, Edson acredita que ainda há muito que evoluir. “Se entendermos que o termo ‘cena’ se refira a um movimento que tenha público, bandas, bares, estúdios e publicações sobre determinado estilo trabalhando em prol de todos, aqui não tem cena. Ter duas bandas consideradas Psychobilly em um estado é muito pouco. A título de comparação, o Metal e o Hardcore estão muito melhor representados. Por outro lado, não vemos nenhum problema em tocar com bandas de outros estilos. Tentamos transitar bem entre bandas que não se parecem com a gente”, analisa.

“Hey, garota” encerrou a apresentação. “Após, cinco anos, tocar no festival foi um sonho realizado. Confesso que estava um pouco apreensivo antes de iniciarmos. Depois da primeira música, o clima rolou bem e aparentemente quem assistiu também gostou. O som estava fantástico, a estrutura do Jokers é muito boa e o clima não poderia estar melhor! Espero poder voltar mais vezes!”, diz Edson.

Confira, também, um vídeo do show e o nosso álbum de fotos.

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Billys Bastardos

A banda londrinense fez a sua quarta participação na história do festival. As anteriores aconteceram em 2009, 2011 e 2014.

Helldiner Ned (bateria e vocal), Ferruge (guitarra) e PJ (baixo) fazem um Psychobilly com nítidas influências do Punk e do Heavy Metal. Isso é claramente percebido na forma com que Ferruge constrói as músicas usando o tapping (técnica em que o músico ‘martela’ as cordas da guitarra) e também os harmônicos (notas que soam de forma bem aguda). “O Psycho Carnival faz com que possamos mostrar nossas músicas ‘Metalpunkabilly’ para um público mais metal e punk. Somos uma banda de pouco público, pois nem todos curtem esses estilos”, diz Ned.

A banda abriu o show com “Festa dos zumbis”. O setlist contou com músicas das duas demos lançadas pelo grupo, “Billys Bastardos” (2007) e “Paraíso da Demência” (2011), entre elas, “Ruína dos endiabrados” e “Revolta do Diabo”.

“Jogo dos mortos” encerrou a apresentação. “A importância do Psycho Carnival para a galera psycho é unir as tribos para um encontro de muita música, fazer boas amizades e tomar um bom chopp, além de reencontrar os amigos das antigas”, diz Ned.

Confira, também, um vídeo do show e o nosso álbum de fotos.

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Bad Luck Gamblers

Joe Marshall (guitarra e vocal), Maniac Biffs (baixo e backing vocal) e Renan Pigmew (bateria) fizeram a sua quarta participação no festival. As anteriores aconteceram em 2008, 2012 e 2015.

“Like a bat” abriu o show. O grupo apresentou músicas de seu mais recente álbum, “Casino Maldito” (2016), entre elas “8%” e “Devil’s lucky dice” e também faixas de outros CDs, entre elas “Bad Lucky gamblin’”. Sobrou espaço até para um cover de “Scum of the neighbourhood”, do Batmobile.

Em uma comparação com o show de dois anos atrás, o som do grupo se mostrou muito mais pesado e visceral.

“Drinking with the devil” encerrou a apresentação. “Foi sensacional! A casa estava lotada e tem um ótimo som. A galera parece que gostou muito do nosso show e o evento teve uma organização perfeita”, diz Joe.

Leia neste link a entrevista que a banda concedeu ao Cwb Live antes do show no Psycho Carnival. Confira, também, um vídeo do show e o nosso álbum de fotos.

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Mulher Diaba

Antes do show do The Mullet Monster Mafia, a performer Larissa Maxine encarnou a “Mulher Diaba” em um show burlesco no palco do Jokers. Larissa preparou o ânimo do público para as três bandas curitibanas que viriam a seguir.

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The Mullet Monster Mafia

O “Surf Satânico Universitário” do trio de Piracicaba (violento, pesado e criativo) empolgou o público que esteve presente no Jokers. O som da banda é uma mistura improvável de Psychobilly, Punk, Hardcore e Thrash Metal. Tudo isso construído em cima de bases de Surf Music, que é a linha mestra seguida pelo trio.

A formação do Mullet no show contou com Ed Lobo Lopez (guitarra), Jefferson Novaes (baixo) e Emiliano Ramirez (bateria). O baixista original da banda, Marcondinz Vernizério, não esteve presente porque está se recuperando de problemas de saúde. Jefferson Novaes, (ex-One Minute Less) chamou muito a atenção pela técnica e pela presença de palco.

A banda abriu o show com “Black coffin”. O setlist contou com músicas dos quatro álbuns lançados pela banda: “Power Surf Orchestra” EP (2009), “Dogs of the Seas” CD (2011), “Clash of the Irresistible” CD (2013) e “Surf‘n’Goat” EP (2016), todos distribuídos pelo selo Drunkabilly Records, da Bélgica.

“Surf ‘n’goat” encerrou a apresentação. “O nosso show foi massa demais! Sabíamos que o público ficaria apreensivo porque o Vernizério não estaria no palco conosco. Mas o Jefferson foi muito bem nos shows que fizemos antes do festival e fez dele o palco do Carnival. A resposta mais uma vez foi brutal e ficamos muito contentes em estar no line up ao lado de tanta banda foda! O Psycho Carnival é fera! É o festival mais cascudo do lado sul do mundo!”, diz Emiliano.

Leia neste link a entrevista que a banda concedeu ao Cwb Live antes do show no Psycho Carnival. Confira, também, um vídeo do show e o nosso álbum de fotos.

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As Diabatz

Após um ano de ausência, o grupo curitibano As Diabatz voltou ao palco do Psycho Carnival. Carol Baby Rebbel (guitarra), Killer Klaw (baixo) e Clau Sweet Zombie (bateria) abriram a apresentação com “Riding throught the devils hill”.

O setlist do show contou com músicas conhecidas do público psycho, como “She forgot how to pray”, e também duas canções inéditas que farão parte do novo álbum da banda: “Treat you mean” e “You go on”.

A recepção do público certamente ficará marcada na memória das Diabatz. “Nós estávamos em uma expectativa muito grande para tocar. Deu até aquele nervoso de palco alguns minutos antes. Ensaiamos muito e não queríamos que nada saísse do nosso controle. Foi tão massa ver a galera agitando do começo ao fim, uma energia boa, sabe? Nós meio que curtimos o show junto com a galera, principalmente quando vimos que tinha o wrecking rolando só com as minas. Nossa, foi emocionante! Sem palavras!”, diz Clau.

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Girl power

O show teve um dos momentos mais marcantes do festival, quando uma roda de wrecking organizada só por mulheres se abriu durante “Psychomad Mary” e se manteve durante toda a apresentação. “Nós sentimos uma força muito grande e uma presença fortíssima das mulheres na cena psycho, e isso não é uma coisa muito normal de se ver. Na verdade, eu acho que nunca vi isso na vida. Não sei se algum dia aconteceu de os caras saírem do wrecking e as meninas dominarem. O pessoal que veio de outros países ficou de boca aberta!”, afirma a baterista.

“We ain’t no psychobitches” e “Out of sight” encerraram a apresentação.

Leia neste link a entrevista que a banda concedeu ao Cwb Live antes do show no Psycho Carnival. Confira, também, um vídeo do show e o nosso álbum de fotos.

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Sick Sick Sinners

Os curitibanos do Sick Sick Sinners encerraram a segunda noite do Psycho Carnival. Vlad Urban (guitarra e vocal), Mutant Cox (baixo e vocal) e Neri (bateria e vocal) apresentaram o seu Psychobilly Maldito e, como sempre, fizeram um dos melhores shows do festival.

A instrumental “Unfuckingstoppable” (que dá nome ao mais recente álbum da banda, de 2014) abriu a apresentação, seguida por “Nitro girl”.

O setlist do show foi bem diferente do que a banda costuma apresentar. Além de canções clássicas, como “We wanna drink some more” e “Diabolica sed”, o trio tocou várias músicas pouco executadas ao vivo, como “Beer and flesh meat” e “Army of light”.

“Cadillac podrera”, versão para o clássico do Ovos Presley, encerrou a apresentação. A música teve a participação do guitarrista do Ovos, Wallace Barreto. “O show foi muito massa! No Psycho Carnival nós temos uma relação muito próxima com o público que conhece a gente, que acompanha o nosso trabalho. Conhecemos boa parte das pessoas que estão ali vendo o nosso show. Então, é uma satisfação enorme tocar para essa galera. De certa forma, isso completa o trabalho que estamos fazendo”, diz Vlad.

Leia neste link a entrevista que a banda concedeu ao Cwb Live antes do show no Psycho Carnival. Confira, também, um vídeo do show e o nosso álbum de fotos.