Texto: Marcos Anubis
Fotos: Vinicius Grosbelli

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A depressão, diferentemente do que muitas pessoas ainda pensam, não é uma luta simples de ser vencida. No mundo da música, por exemplo, a doença já tirou a vida de inúmeros artistas, entre eles, Kurt Cobain (Nirvana), Chris Cornell (Soundgarden e Audioslave) e Scott Weiland (Stone Temple Pilots). Afinal, a pressão e as cobranças que vêm junto com o sucesso costumam cobrar um preço muito alto e os músicos nem sempre conseguem suportar esse peso.

O cantor norte-americano Scott Stapp está nessa lista de sobreviventes. Conhecido por ser o vocalista do Creed, Stapp não só conseguiu enfrentar esses desafios, mas também fez da música uma grande aliada para ajudar outras pessoas que também passam por momentos sombrios.

Nessa quarta-feira (13), Scott Stapp se apresentou na ReConcert, em Curitiba, e fez questão de dividir essa vitória pessoal com os fãs brasileiros.

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Com os braços bem abertos

Acompanhado por Yiannis Papadopoulos e Ben Flanders (guitarras), Sammy Hudson (baixo) e Dango Cellan (bateria), Scott abriu o show com “Bullets”, do Creed, “World I used to know”, faixa que abre o recém-lançado “The Space Between the Shadows” (2019), e “My own prison”, também do Creed.

Além de sucessos  do Creed, Scott  também apresentou várias canções de seu mais recente trabalho que retrata de maneira bem aberta toda a batalha e a superação protagonizadas por ele nos últimos anos.

Um dos grandes momentos do show foi “With arms wide open”, sucesso do Creed gravada no 2º álbum da banda, “Human Clay” (1999). Outra canção marcante foi a pesada “Higher”, também do Creed, mas que foi tocada de maneira acústica, somente com voz e violão.

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Artista e fãs em uma só vibração

A recepção e as reações do público durante todo o show mostraram uma ligação muito forte entre Scott e os fãs e. Além da parte musical, a história de superação protagonizada pelo vocalista claramente é uma inspiração para muitas pessoas que se identificam de alguma maneira com essa realidade.

Antes de “Name”, Scott fez questão de dizer que essa música retratava várias marcas profundas com as quais ele teve que lidar. “Eu sou um filho sem pai. Ele me deu seu nome e foi embora. Eu sou homem, agora um pai, e eu juro: meu filho jamais conhecerá essa dor”, diz a letra da canção. Na sequência, Stapp dedicou “Survivor” aos fãs que estavam na ReConcert. “Todos nós somos sobreviventes”, disse.

Scott Stapp passou praticamente todo o show cantando ao lado do guitarrista Yiannis Papadopoulos. Nitidamente, existe uma relação de amizade e confiança entre os dois que vai além da música. Nesse processo de reconstrução, é muito possível que Yiannis tenha sido um grande aliado para Scott e essa conexão é demonstrada claramente no show.

Após “Purpose for pain”, a banda saiu rapidamente do palco, voltando para encerrar o show com três canções do Creed: “Don’t stop dancing”, “One last breath” e o clássico “My sacrifice”, que foi cantada à capela por todo o público.

Essa foi a primeira vez que Scott se apresentou no Brasil sem o Creed. Sem dúvidas, o carinho que ele recebeu do público curitibano ficará marcado como mais uma peça na difícil reconstrução pessoal pela qual o vocalista teve a coragem de passar nas últimas duas décadas.