Smith e Kotzen deram uma masterclass sobre como a guitarra deve ser tratada

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No show no Tork N’ Roll, os dois talentosíssimos músicos presentearam os fãs com o que de melhor o Rock’n’roll pode oferecer

“Desde os primórdios até hoje em dia”, como cantam os Titãs, a guitarra sempre foi o instrumento que mais chama atenção em uma banda. Afinal, ela transforma músicos em “guitar heroes” que habitam o imaginário de qualquer adolescente que sonha se tornar um astro do Rock.

Desse ponto de vista, o show que Adrian Smith e Richie Kotzen fizeram nessa sexta-feira (24), no Tork N’ Roll, em Curitiba, foi um verdadeiro deleite para os amantes das seis cordas.

Muitíssimo bem acompanhados por Julia Lage (baixo) e Bruno Valverde (bateria), uma cozinha que qualquer grande músico deseja ter ao lado, a dupla abriu o show com “Life Unchained”, “Black Light” e “Wraith”.

O setlist foi dividido basicamente entre canções dos álbuns “Smith/Kotzen” (2021) e “White Light/White Noise” (2025), proporcionando grandes momentos, como a fantástica “Scars”.

Velocidade x feeling

Da mesma maneira que o ser humano do século XXI é um escravo da rapidez, em qualquer aspecto da vida, ser veloz também virou uma moda entre os guitarristas do novo milênio.

Na contramão dessa tendência limitadora, Smith e Kotzen tratam o instrumento com a delicadeza que ele merece, apostando na sensibilidade e não na fritação sem sentido.

Usando muito feeling em cada uma das frases que constroem, a dupla cria camadas harmônicas que, em vez de brigarem entre si, se complementam perfeitamente.

Outro fator bem marcante da apresentação foi a exibição dos guitarristas como cantores, pois em praticamente todas as músicas, os dois dividem os vocais e cada um deles faz a sua parte muito bem.

Obviamente, Kotzen é muito mais acostumado a cantar, pois faz isso rotineiramente em seu projeto solo e nas bandas das quais faz parte.

Porém, para surpresa de muitos fãs, Adrian Smith, que só aparece cantando no Iron quando faz os backings de “Wasted Years”, se sai extremamente bem quando precisa assumir os vocais.

Depois de “Running”, primeira composição que os dois guitarristas criaram juntos, logo que iniciaram a parceria, a banda saiu do palco rapidamente.

Logo em seguida, todos voltaram para tocar a belíssima “You Can’t Save Me”, composição de Kotzen gravada no álbum “Into The Light” (2006), na qual Richie entregou uma interpretação de tirar o fôlego.

Para delírio do público, o show foi encerrado com o clássico “Wasted Years”, do Iron Maiden. Aliás, nesse momento, uma dúvida pairou sobre todos no Tork N’ Roll: essa foi a última vez que um dos grandes clássicos do Heavy Metal foi tocado em Curitiba?

Afinal, o Iron anunciou que, após o último show da “Run For Your Lives World Tour”, no dia 25 de novembro, na K-Arena, em Yokohama, no Japão, a banda só voltará aos palcos em 2028.

Entretanto, não existe nenhuma garantia de que o grupo realmente retomará as atividades ou que se apresentará na capital paranaense nos próximos anos.

Existe uma aura grandiosa que cerca os shows do Iron Maiden nos espaços gigantescos onde a banda britânica se apresenta em qualquer país, fruto de meio século de trabalho primoroso.

Justamente por causa disso, ver Adrian Smith descendo desse pedestal e unindo forças com um músico genial como Richie Kotzen em um show quase intimista, foi uma experiência única.

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