Alceu Valença, os 80 anos do menestrel pernambucano
Compartilhe!


No show no Igloo Super Hall, em Curitiba, o talentoso pernambucano mostrou o quanto a música brasileira é diversa e cheia de nuances
Na era de ouro da música brasileira, nos anos 1970/80, para ser chamado de artista, o “candidato” invariavelmente precisava reunir três qualidades: cantar bem, escrever letras que tivessem conteúdo poético e compor canções que emoldurassem essas palavras.
O pernambucano Alceu Valença, que está prestes a completar 80 anos, pode dizer que cumpriu plenamente esses pré-requisitos desde que surgiu no cenário da MPB por meio do álbum “Quadrafônico – Alceu Valença & Geraldo Azevedo” (1972).
Nesse sábado (25), ele se apresentou no Igloo Super Hall, em Curitiba, a nova casa de shows inaugurada no final do ano passado pela produtora Prime no Jockey Club do Paraná, e fez jus a esse legado riquíssimo.
Acompanhado por Tovinho (teclados e direção musical), Zi Ferreira (guitarra), Nando Barreto (baixo), André Julião (sanfona), Costinha (flautas), Lui Coimbra (violas e violoncelo), Natalia Mitre (percussão) e Cássio Cunha (bateria), Alceu começou o show com “Agalopado”, “Pagode Russo (Luiz Gonzaga) e “Como Dois Animais”.
Na apresentação, que faz parte da turnê “80 Girassóis”, Valença faz uma retrospectiva completa de sua carreira cantando sucessos como “Estação da Luz” e “Coração Bobo”, além de canções muito queridas pelos fãs, entre elas, “Cavalo de Pau” e “Elefante de Olinda”.

Eu já escuto os teus sinais
Um dos momentos mais emocionantes do show foi “Girassol”, cantada por todo o público que praticamente lotou o Igloo Super Hall.
Durante a apresentação, Alceu brincou com os fãs, explicou o contexto de algumas canções e não parou de se movimentar, demonstrando uma vitalidade impressionante.
Houve espaço, inclusive, para uma homenagem ao guitarrista Paulo Rafael, que faleceu em 2021. O músico fez parte da banda de Valença durante mais de 40 anos e foi absolutamente fundamental na construção do som que se tornou a marca registrada de Alceu, unindo ritmos pernambucanos, psicodelismo e Rock.
O ápice do show estava reservado para a parte final, pois existem músicas que possuem uma força quase sobrenatural, despertando uma energia tão forte no público que é difícil de ser explicada.
Assim, quando essas canções são tocadas ao vivo, é como se o tempo parasse e as pessoas tivessem a oportunidade de beber diretamente em uma fonte que os mortais raramente têm acesso.
“Anunciação”, faixa do álbum “Anjo Avesso” (1982), está nessa lista e foi um dos momentos mais marcantes do show em Curitiba, encerrando a apresentação antes do bis.
Ovacionado pelos fãs, Alceu saiu rapidamente do palco e voltou para fechar o show com “Tropicana”, outro daqueles sucessos atemporais que ficam ainda melhores com o passar do tempo.
Alceu Valença continua lembrando a todos que a música brasileira é riquíssima e cheia de influências.
Fiel a um bom texto e a melodias que qualquer pessoa pode apreciar, independentemente da preferência musical que ela tenha, esse jovem senhor de São Bento do Una, no interior de Pernambuco, segue encantando a todos com simpatia, alegria e talento.
Aproveite para assinar o Cwb Live, pagando a quantia que você achar justa. É só acessar a plataforma Catarse (campanha “Eu Apoio o Cwb Live”).
Assim, você ajuda o site a se manter na ativa, fazendo um jornalismo independente e com conteúdos exclusivos (entrevistas em texto e vídeo, coberturas de shows, fotos, vídeos e matérias).
Inscreva-se no nosso canal no YouTube para assistir aos vídeos de shows e entrevistas exclusivas e siga as nossas redes sociais no Instagram e Facebook.





