Blindagem, a celebração dos 50 anos da maior expressão da música paranaense

Com o Teatro Guaíra lotado, a banda comemorou essa marca recebendo todo o carinho e reconhecimento dos fãs 

Quantas bandas no mundo chegaram aos 50 anos de vida, se mantendo na ativa, fazendo shows e produzindo material?

Nessa sexta-feira (19), com uma apresentação no Teatro Guaíra, os curitibanos do Blindagem entraram nessa seleta lista de grupos cinquentenários.

Willian Vox (vocal e violão), Paulinho Teixeira e Alberto Rodriguez (guitarras e backing vocals), Paulo Juk (baixo) e Rubén “Pato” Romero (bateria e backing vocals) abriram o show com um dos mais recentes singles lançados pelo grupo, “O Equilibrista” (2024).

Essa atitude mostra que, além de comemorar uma trajetória que é belíssima, a banda também olha para frente, pois continua a trabalhar no riquíssimo material que os integrantes ainda têm em mãos.

No meio da apresentação, o grupo tocou seis músicas executadas em formato acústico: “Não Posso Ver”, “Hoje”, “Lá Vai o Trem”, “O Homem e a Natureza”, “Volto na Primavera” e “Se Eu Tivesse”.

A ideia era fazer com que o público captasse a primeira sonoridade que essas composições tiveram, quando foram criadas.

Se Willian quisesse, em todas as canções do setlist, montado especialmente para o show, poderia até deixar os vocais a cargo do público, pois os fãs sabem as letras de cor e fazem questão de manter essa sinergia com o grupo.

Antes da belíssima “Loba da Estepe”, uma parceria do Blindagem com o empresário e produtor Helinho Pimentel, Paulinho fez um discurso emocionadíssimo, falando sobre Ivo Rodrigues. “Foi um cara que se tornou meu irmão, que deixou uma marca espetacular na banda e nunca será esquecido! Ele sempre será uma inspiração para nós!”, disse o guitarrista, com lágrimas nos olhos.

No telão, foi exibida uma gigantesca imagem do vocalista com os braços abertos, sorrindo, como se estivesse abraçando o público.

Ficou claro que esse momento não estava programado no roteiro da apresentação, pois a manifestação veio espontaneamente do fundo do coração de Paulinho, arrancando lágrimas dos fãs, inclusive da viúva e do filho de Ivo, Suka e Ivan Rodrigues, que foram acompanhar a celebração. “As palavras foram emocionantes! O Paulinho foi o melhor amigo do meu pai, então, ninguém melhor do que ele para falar sobre o Ivo”, diz Ivan.

A história do Blindagem é um exemplo de resiliência porque, mesmo após terem que enfrentar uma perda irreparável com a morte de Ivo Rodrigues, em 2010, os remanescentes da formação clássica do grupo resolveram seguir em frente justamente porque esse foi um pedido do próprio vocalista. “Não pare com a banda, parceiro!”, disse Ivo em uma das últimas conversas que teve com Paulo Juk.

Na sequência, Rodrigo Vivazs assumiu os vocais até 2022, quando decidiu se retirar. Na ocasião, o grupo fez uma espécie de concurso para definir quem seria o novo cantor.

O escolhido foi o jovem Willian Vox, que impressionou os integrantes da banda com uma gravação de “Coração de Bicho”, do álbum “Dias Incertos” (1997), uma canção completamente Lado B no repertório do Blindagem.

A decisão foi perfeita, pois Willian se entrosou rapidamente com os novos companheiros e, com talento e humildade, vem encantando os fãs que seguem acompanhando o trabalho do grupo.

A belíssima “Gaivota” (canção que tem o solo de guitarra mais marcante da história da música paranaense), encerrou a apresentação.

Porém, atendendo aos pedidos do público, a banda ainda tocou “Cheiro do Mato”. Após agradecer o carinho dos fãs, os integrantes do Blindagem saíram do palco ainda sob o coro do público que não parava de cantar o refrão da música.

Para quem acompanha o cenário musical curitibano, não existe nada mais gratificante do que presenciar o respeito direcionado a uma banda ou artista paranaense, afinal, por aqui, os “santos da casa” precisam fazer diversos milagres para serem reconhecidos.

No caso do Blindagem, essa conexão fortíssima com os fãs vem se mantendo há meio século. “Eu já vi grandes apresentações deles no Guaíra, mas essa foi a mais especial! Eu nunca vi o Guairão tão lotado em um show deles”, conta Ivan.

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