Green Day: a mágica dos três acordes aliada a muita diversão marcaram o show da banda em Curitiba


O show aconteceu na Arena Da Baixada, que estava lotada de fãs vindos de várias cidades do Brasil
Três acordes e muita diversão. Essa é a fórmula que, há mais de meio século, vem fazendo a alegria dos fãs de música em qualquer parte do mundo.
É óbvio que a técnica, em algumas situações, faz parte do contexto, mas às vezes tudo que o Rock’n’roll precisa para chamar a atenção das pessoas é uma sequência distorcida da trinca Ré/Lá/Sol.
Foi exatamente isso que a banda estadunidense Green Day proporcionou às aproximadamente 40 mil pessoas que lotaram a Arena da Baixada, em Curitiba, nessa sexta-feira (12).
Antes do começo do show, que faz parte da “The Saviours Tour”, o público foi convidado a participar cantando a belíssima “Bohemian Rhapsody”, do Queen.
É impressionante a força dessa obra de arte criada por Freddie Mercury, que já está completando 50 anos (o álbum “A Night At The Opera” foi lançado em 1975) e, mesmo assim, continua sendo poderosíssima.
Depois, o simpático Drunk Bunny animou o público ao som de “Blitzkrieg Bop”, dos Ramones.
Na sequência, uma gigantesca mão segurando uma granada em formato de coração, capa do álbum “American Idiot” (2004), foi inflada na parte de trás do palco.
Billie Joe (guitarra e vocal), Mike Dirnt (baixo e backing vocals) e Tré Cool (bateria) pisaram no palco tocando justamente a faixa-título do CD.
Essa atitude já foi uma forte e certeira mensagem, pois a letra dessa canção satiriza o tão falado “sonho americano”, no qual quem nasce nos Estados Unidos é condicionado a acreditar que, se trabalhar arduamente na terra do Tio Sam, tudo será possível.
Durante a música, Billie trocou uma parte da letra por “I’m not a part of a MAGA agenda” (eu não faço parte da agenda MAGA), em uma clara crítica à política que está sendo imposta por Donald Trump nos EUA.
MAGA é o acrônimo do slogan “Make America Great Again” (faça a América grande novamente), utilizado pelo presidente dos Estados Unidos.
Aliás, durante todo o show do grupo, as mensagens sobre o posicionamento pessoal dos integrantes da banda estiveram ali, mesmo que de maneira discreta.

Conexão com os fãs
Em “Know Your Enemy”, Billie Joe chamou a fã carioca Marília Barilari para subir no palco. Com muita personalidade, e sem se intimidar com a multidão que desejava estar no lugar dela, a jovem cantou com energia um trecho da música e arrancou aplausos entusiasmados do público que se sentiu representado junto aos ídolos.
Marília, que já assistiu a sete shows do Green Day, inclusive um em Buenos Aires, veio a Curitiba especialmente para a apresentação, mas não sabia que viveria o maior momento entre todos que ela já vivenciou nas peregrinações para acompanhar o trio estadunidense. “Eu me vesti com uma réplica da roupa que o Mike estava usando no início da turnê (um macacão cor de laranja) e trouxe um cartaz com uma resposta à música, tudo isso para tentar ser notada. Foi incrível!”, disse Barilari em uma entrevista exclusiva para o Cwb Live após o show.
A apresentação, que durou aproximadamente duas horas, foi uma grande viagem pela discografia do Green Day. No setlist, a banda incluiu “Minority”, “21 Guns” e “Jesus of Suburbia”.
Um dos momentos mais emocionantes foi em “Wake Me Up When September Ends”, escrita em homenagem ao pai de Billie, Andrew Armstrong, que faleceu em 1982, quando Joe ainda era garoto.
Inevitavelmente, essa música carrega um peso maior para o vocalista, e isso pode ser notado no próprio tom que ele utiliza para cantar.
Um momento que resumiu bem a trajetória do Green Day, que está prestes a completar 40 anos de estrada, foi quando a banda tocou, em sequência, “Basket Case” e “When I Come Around”. Afinal, poucas músicas retratam tão bem a atmosfera dos anos 1990 quanto esses dois grandes sucessos.
Fechando os olhos, era quase possível se transportar para a Rua XV, em um dia qualquer daqueles longínquos tempos, quando a vida se resumia a ouvir música em um walkman da Sony e se deleitar com os muitos sonhos que abordavam o que viria pela frente nos anos seguintes.
Nem todos se concretizaram, e o mundo ficou tremendamente mais complicado, na verdade, mas essas músicas não perderam a força no coração de quem viveu tudo aquilo.
Durante “When I Come Around”, um enorme dirigível branco com a frase “Bad Year”, uma referência ao álbum “Dookie” (1994), sobrevoou o público que estava em frente ao palco.
A todo momento, Billie puxava os tradicionais coros de “eô” e chamava o público para que participasse do show, olhando diretamente nos olhos deles. Poucas bandas no mundo possuem uma conexão tão forte com os fãs e de maneira tão espontânea.
Em um mundo no qual os artistas estão cada vez mais inatingíveis, posicionados num pedestal de arrogância, esse tipo de sinergia é um bálsamo para quem ainda acredita na força que a música tem para, realmente, mudar a vida das pessoas.
Antes de encerrar o show com “Good Riddance (Time of Your Life)”, Billie Joe agradeceu e fez um elogio que pareceu muito sincero, levando em conta o carinho que o Green Day recebeu na capital paranaense. “Esse foi um dos melhores shows desta turnê!”, afirmou.
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Bad Nerves
A abertura da noite coube a banda inglesa Bad Nerves. Bobby Bird (vocais), William Phillipson e George Berry (guitarras), Jonathan Poulton (baixo) e Samuel Thompson (bateria) fizeram um show, sem nenhum exagero, fantástico!
Vale lembrar que eles estão abrindo os shows do Green Day em função de um convite pessoal de Billie Joe, que se apaixonou pelo grupo. Além disso, o quinteto inglês recebeu elogios de ninguém menos do que Iggy Pop, ou seja, a responsabilidade dos caras era grande, mas eles se saíram muito bem.
O grupo abriu a apresentação com a frenética “Baby Drummer” e o setlist foi bem dividido entre os dois álbuns de estúdio da banda: “Bad Nerves” (2020) e “Still Nerves” (2024). Entre elas, “You’ve Got The Nerve”, “Radio Punk” e “Can’t Be Mine”.
O interessante é que, quando você ouve o som do Bad Nerves nas gravações em estúdio, em algumas músicas, a pegada não é a mesma. Porém, ao vivo, a energia deles é realmente impressionante.
Ao que parece, a produção deixou essas músicas mais contidas, perdendo a força que o grupo apresenta nos shows. Os vocais, por exemplo, são “nublados” com muitos efeitos, o que tira toda a espontaneidade das canções.
O grupo se define como uma mistura de The Strokes com Ramones, o que tem um certo fundo de verdade. Porém, a musicalidade do Bad Nerves vai além dessas duas referências, pois as músicas são muito bem trabalhadas.
Bobby Bird (uma referência ao backing vocal, mestre de cerimônias e braço direito do lendário James Brown?) é um frontman de primeira e faz questão de se conectar com os fãs.
Durante todo o show, ele conversou em bom português e chegou até a descer do palco e ir para o meio do público pela área de segurança que vai até a house mix.
Na parte final, o vocalista revelou que é casado com uma brasileira e, por isso, consegue se comunicar bem com os fãs.
O Bad Nerves encerrou a apresentação com “Dreaming”. Certamente, o show abriu as portas do Brasil para o grupo, pois a recepção do público mostrou que eles podem perfeitamente fazer uma turnê solo por aqui.

