Guns N’ Roses e a atitude “Rock’n’roll” de Axl Rose


No show na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, com abertura dos Raimundos, Slash e cia. apresentaram alguns dos maiores clássicos da banda
Atualmente, os “cantores (as) de playback” dominam o mundo. Afinal, em tempos de IA, cantar virou quase um luxo por causa de um motivo tentador: por que se arriscar quando a tecnologia pode fazer tudo por você?
Na contramão dessa realidade, o vocalista do Guns N’ Roses, Axl Rose, insiste em cantar, mesmo que a voz que ele possui atualmente não seja nem sombra do que era no auge da banda.
Obviamente, essa é uma situação pela qual todo mortal está suscetível, pois as cordas vocais, assim como todo o nosso corpo, envelhecem e se desgastam a medida em que ficamos mais velhos.
É preciso lembrar que quase 40 anos se passaram desde que “Sweet Child O’ Mine” tomou de assalto as rádios em todo o mundo, ofuscando a legião de bandas e artistas descartáveis que surgiam e desapareciam instantaneamente naquele período.
Nessa terça-feira (28) na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, Axl encarou quase três horas de show cantando algumas das músicas com passagens de vocal mais altas da história da banda e apenas com uma ajuda da tecladista Melissa Reese em momentos pontuais.
No mínimo, a postura de Axl deve ser respeitada porque seria muito fácil cantar sob bases pré-gravadas, fingindo ser o mesmo vocalista que assombrou o mundo nos anos 1980.
Dez minutos antes das 20h, o horário programado para o início do show, Axl Rose (vocal), Slash e Richard Fortus (guitarras), Duff McKagan (baixo), Dizzy Reed (teclados), Melissa Reese (teclados e backing vocals) e Isaac Carpenter (bateria) pisaram no palco as primeiras notas do poderoso riff de “Welcome to The Jungle” começaram a ressoar nos paredões da Pedreira.
Dali em diante, debaixo de uma insistente chuva, típica de Curitiba, e com a Pedreira completamente lotada, o grupo apresentou um setlist bem abrangente. “Yesterdays”, “Estranged” e “Rocket Queen” fizeram parte do repertório.
Um dos momentos mais emocionantes foi “November Rain”, com Axl tocando solenemente um piano de cauda posicionado no meio do palco e com a chuva se tornando mais intensa, compondo um belo cenário para a letra da canção.
Outra música que tocou o coração dos fãs foi a versão da banda para “Knockin’ On Heaven’s Door”, de Bob Dylan.
Uma surpresa muito bem vinda foi a execução de “Slither”, canção da banda Velvet Revolver, da qual Slash e Duff fizeram parte nos anos 2000 e que contava com o excelente Scott Weiland nos vocais.
Aliás, o show teve vários covers, entre eles, uma homenagem mais do que bem vinda a Ozzy Osbourne com “Sabbath Bloody Sabbath” (diante de uma imagem gigante do Príncipe das Trevas surgindo no telão) e “Never Say Die”.
“Paradise City” encerrou a apresentação e, após se retirarem rapidamente do palco, os integrantes do grupo voltaram para agradecer ao público.
A reflexão que sempre fica nessas situações nas quais os artistas são massacrados na internet é: cada nota ou linha de vocal precisa ser executada ao vivo exatamente igual a gravação, como se o tempo não existisse na vida dos cantores e músicos?
Até que ponto a exigência dos fãs de Rock em relação às bandas que já passaram das três décadas de estrada é válida?
Afinal, nos últimos anos, ficou mais do que óbvio que nós estamos vivendo o fim de uma era, com grupos que moldaram a história da música encerrando as atividades e grandes artistas falecendo.
Ou seja, se tiver oportunidade, veja os gigantes enquanto eles ainda caminham entre nós! Muito em breve, eles serão apenas uma lembrança de um tempo no qual éramos felizes e não sabíamos.
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Raimundos
A abertura da noite foi dos Raimundos, uma das bandas mais queridas pelo público curitibano.
Digão (guitarra e vocal), Marquim (guitarra), Jean Moura (baixo) e Caio (bateria) usaram da melhor maneira possível cada minuto que tiveram no palco.
O grupo abriu o show com “Os Calo”, faixa do novo álbum do grupo, “XXX” (2025), o primeiro trabalho de inéditas do quarteto desde “Cantigas de Roda” (2014).
A decisão de iniciar o show com uma canção nova mostra que a banda não quer viver somente dos grandes sucessos, mas é claro que o setlist também teve clássicos do Rock brasileiro como “Esporrei na Manivela”, “I Saw You Saying (That You Say That You Saw)” e “Mulher de Fases”.
O momento mais emblemático do show foi “Puteiro em João Pessoa”, a música que apresentou os Raimundos ao Brasil e transformou o grupo em uma das febres daquele início dos anos 1990.
Para o público “mais experiente”, instantaneamente, ouvir essa canção trouxe à memória o célebre show de 1994, quando os Raimundos se apresentaram na Pedreira, na “Acid Chaos Tour”, ao lado do Viper, Sepultura e Ramones.
Esse é um dos shows realmente históricos que aconteceram no mais importante espaço cultural da capital paranaense, por diversos motivos.
O primeiro diz respeito a parte musical, começando pelo Viper, que estava em turnê com o álbum “Evolution” e com “Rebel Maniac” tocando sem parar nas rádios e na MTV.
Paralelamente, os Raimundos tinham acabado de lançar o álbum de estreia, autointitulado, que virou um CD obrigatório na coleção de qualquer adolescente, na época.
Já o Sepultura, que estava praticamente radicado na Europa/Estados Unidos, veio ao Brasil para divulgar o álbum “Chaos A.D.” (1993), que colocou definitivamente o grupo no hall de grandes bandas do Metal internacional.
Para fechar o combo de motivos que tornaram a “Acid Chaos Tour” inesquecível para quem teve a sorte de assistir aos shows, aquela foi a primeira e única apresentação dos Ramones em Curitiba, cidade na qual a banda estadunidense tem uma gigantesca legião de fãs, até hoje.
Porém, a lembrança mais forte para todo curitibano que presenciou aquele momento vem da tempestade assustadora que caiu sob a Pedreira e fez com que o Sepultura tivesse que encerrar o show após tocar apenas cinco músicas.
Assista neste link a entrevista que Andreas Kisser concedeu ao Cwb Live, no ano passado, falando sobre a apresentação de 1994.
Por todo esse contexto que liga os Raimundos a esse show marcante, antes de “Palhas do Coqueiro”, Digão fez questão de relembrar que aquele momento ainda tem um impacto pessoal muito forte para ele. “Foi a última vez que eu estive com o meu irmão mais velho, que faleceu em 1995. A lembrança mais bonita que eu tenho vem daqui, desse lugar. O Raimundos é de Curitiba!”, disse, emocionado.
“Eu Quero Ver Oco”, com todo o público cantando o refrão e pulando em meio a chuva que caia na Pedreira, encerrou a apresentação.
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