Living Colour: 40 anos de cores cada vez mais vivas


O show na Live Curitiba marcou o retorno do grupo à cidade após 22 anos
Nesse domingo (1), na Live Curitiba, o público da capital paranaense teve uma oportunidade única de ver ao vivo a banda estadunidense Living Colour. A última vez que a banda havia se apresentado por aqui foi em 2004, no Moinho São Roque.
No show, que faz parte da turnê “The Best Of 40 Years” e teve abertura do Madzilla, os fãs puderam ouvir alguns grandes clássicos dos anos 1990 que, além da qualidade musical, também ressaltam o talento do grupo para tocar em temas do “way of live” dos EUA que já eram muito sensíveis quando a banda surgiu e, atualmente, no imprevisível século XXI, se tornaram ainda mais relevantes.
Em tempo: é preciso agradecer a Top Link Music e a produtora Abstratti, pois só quem tem uma visão que vai além da parte comercial, valorizando a boa música e a experiência do público, seria capaz de trazer o Living Colour a Curitiba.

Living Colour
Corey Glover (vocal), Vernon Reid (guitarra), Doug Ambish (baixo) e William Calhoun (bateria) pisaram no palco sob os acordes sinistros da “Imperial March”, trilha sonora de Darth Vader, composta por John Williams.
O quarteto abriu o show com “Leave it Alone” e “Middle Man”. O repertório do show foi composto essencialmente por canções dos três primeiros álbuns do grupo, que moldaram o que seria o som do Living Colour nos anos seguintes: “Time’s Up” (1988), “Vivid” (1990) e “Stain” (1993), entre elas, “Ignorance is Bliss”, “Type” e “Pride”.
Porém, o setlist também teve espaço para algumas surpresas, como uma versão cheia de swing de “Memories Can’t Wait”, dos Talking Heads, e “Hallelujah”, de Leonard Cohen, em uma interpretação belíssima de Glover.
Aliás, aos 61 anos, o vocalista impressionou o público, pois cantou todas as músicas nos tons originais (alguns altíssimos) e com uma presença de palco digna dos grandes frontmans.
Depois de “Open a Letter (To a Landlord)”, a banda se retirou do palco, deixando Calhoun executar um solo de bateria que culminou com a música “Bainá”, do grupo paulista de percussão corporal Barbatuques.
A citação/homenagem encheu de alegria a banda brasileira. “Foi uma surpresa incrível! O Living Colour é uma banda icônica que nós ouvimos desde a adolescência. Sabíamos que os caras conhecem e gostam de música brasileira. Eles já estiveram por diversas vezes no Brasil e alguns integrantes foram aos shows, mas jamais imaginamos que o Will colocaria a ‘Baianá’ em um solo”, diz Andre Venegas, integrante do Barbatuques.
A atitude de Calhoun mostra que a música não tem fronteiras, ainda mais em uma banda como o Living Colour, que sempre incorporou elementos que fugiam do peso do Rock e do Heavy Metal nas canções do grupo. “Ficamos muito honrados e felizes, não só pela escolha em si, mas também pelo sentimento da potencialidade dos ritmos brasileiros que às vezes nem são tão conhecidos como o Samba, por exemplo. O Baianá é uma manifestação popular cultural linda de Alagoas e, assim como ele, existem muitos outros ritmos, danças e manifestações populares vindas de Pernambuco, Amazonas e Pará. Acho que ele sacou isso”, complementa Venegas.
Durante o show, Wimbish foi quem mais interagiu com o público, indo até a beira do palco e pedindo a participação dos fãs.
No mais, a banda mostrou que o foco dos integrantes estava voltado para a execução das músicas e, nesse quesito, cada um deles impressiona de uma maneira diferente.
Reid, por exemplo, tem uma técnica toda pessoal de tocar, com palhetadas rápidas e constantes, priorizando a criatividade e o bom gosto na execução das bases e solos.
Na bateria, Calhoun toca de maneira pesada, mas as linhas que ele constrói também são percussivas, nas quais até o cowbell é utilizado. No solo, inclusive, ele tocou até uma espécie de handpan.
Já Wimbish utiliza bastante os slaps e tappings, além de acrescentar alguns efeitos criados no baixo durante as músicas.
Um dos grandes momentos do show foi “Glamour Boys”, uma grande tiração de sarro da banda em relação aos que, para os brasileiros, seriam os “playboys” do pedaço. “Eu não sou nenhum playboyzinho, eu sou foda!”, canta Glover.
Na parte final do show, quando Reid tocou o riff de “Cult of Personality”, a música que apresentou o Living Colour ao mundo, a Live veio abaixo.
O maior sucesso do grupo foi cantado por todo o público, algo que visivelmente impressionou a banda, fazendo com que Corey subisse em um dos PAs para ficar mais perto dos fãs.
O grupo encerrou o show com uma versão pesadíssima de “Should I Stay or Should I Go”, do The Clash.
Antes de saírem do palco, após registrarem a tradicional foto com a plateia, os músicos foram até o público para jogar baquetas e palhetas (uma delas foi entregue diretamente por Vernon Reid ao fã Christian Souza, que acompanha o grupo desde o início dos anos 1990).
Esse foi o terceiro show do Colour que ele assistiu e o que teve o repertório mais representativo. “Pra mim, foi um dos mais impressionantes porque eles tocaram basicamente músicas dos dois primeiros álbuns. Foram esses discos que me fizeram conhecer o Living Colour e virar fã deles”, conta.
Inscreva-se no nosso canal no YouTube para assistir aos vídeos de shows e entrevistas exclusivas e siga as nossas redes sociais no Instagram e Facebook.
Aproveite para assinar o Cwb Live, pagando a quantia que você achar justa. É só clicar nesse link da campanha “Eu Apoio o Cwb Live”, que fica hospedada na plataforma Catarse.

Madzilla
A abertura da noite coube a banda estadunidense Madzilla. David Cabezas (vocal e guitarra), Sarah Dugdale (guitarra), Thomas Palmer (baixo) e Courtney Lourenco (bateria) foram muito bem recebidos pelo público.
Durante o show, composto por um setlist curto, mas poderoso, Cabezas falou bastante com o público em português, demonstrando uma desenvoltura impressionante. “Eu gostava muito da série ‘Cavaleiros do Zodíaco’ e, como não queria assistir em japonês, tentei ver em português. Foi assim que eu comecei a aprender um pouco”, contou o vocalista em uma conversa com o Cwb Live após o show.
Atualmente, para mergulhar ainda mais no idioma usado no Brasil, Cabezas também conta com a ajuda do engenheiro de som Rodrigo Silveira, que costuma trabalhar com o Angra e tem acompanhado o Madzilla nas turnês.
Nos bastidores dos shows, as conversas entre os dois acontecem em português e isso vem sendo quase como um curso intensivo para o vocalista.
Uma das canções mais pesadas e trabalhadas do repertório do show foi a faixa-título do mais recente álbum da banda, “Angel Genocide” (2026).
Essa foi a terceira vez que o grupo se apresentou em Curitiba (as outras aconteceram nas aberturas dos shows do Saxon, em 2023, e da cantora Tarja com Marko Hietala, em 2025, ambos na Ópera de Arame).
Ou seja, Cabezas e seus companheiros já se sentem em casa quando tocam na capital paranaense. “Nós gostamos muito daqui! As pessoas são muito boas!”, elogia.
O grupo encerrou a apresentação com “A Deadly Threat”.
Inscreva-se no nosso canal no YouTube para assistir aos vídeos de shows e entrevistas exclusivas e siga as nossas redes sociais no Instagram e Facebook.
Aproveite para assinar o Cwb Live, pagando a quantia que você achar justa. É só clicar nesse link da campanha “Eu Apoio o Cwb Live”, que fica hospedada na plataforma Catarse.
Assim, você ajuda o site a se manter na ativa, fazendo um jornalismo independente e com conteúdos exclusivos (entrevistas em texto e vídeo, coberturas de shows, fotos, vídeos e matérias).

