No show na Arena da Baixada, Katy Perry mostrou que sua visão artística vai além da música


O show, que faz parte da “The Lifetimes Tour”, foi repleto de grandes sucessos
A música tem o poder de mudar a vida das pessoas, afinal, quantas vezes nós já fomos literalmente salvos de um momento ruim ao ouvir uma canção da qual gostamos?
Pois bem, nessa terça-feira (16), na Arena da Baixada, em Curitiba, no show da cantora estadunidense Katy Perry, essa característica, que faz parte de qualquer segmento da arte, esteve muito presente e gerou um momento ainda mais inesquecível para uma das quase 40 mil pessoas que lotaram o estádio do Club Athletico Paranaense.
O show, que estava previsto para começar às 21h, teve 40 minutos de atraso, o que gerou uma grande apreensão no público, pois todos imaginavam que algo mais sério tinha acontecido para justificar a demora.
Porém, perto das 22h, uma movimentação na lateral direita do palco fez o público que estava na arquibancada mais próxima vibrar.
Em seguida, um feixe de raio laser projetado no telão do palco deu início a batalha de Katy contra o “Mainframe”, o vilão que permeia toda a construção da história do show.
Após essa introdução, Perry surgiu “presa” dentro de um círculo que parece ter sido inspirado em um instrumento de tortura medieval, abrindo o show com “Artificial” e “Chained to The Rhythm”.
Entre as músicas que fizeram parte do setlist, estiveram “Prism”, “California Gurls” e “Last Friday Night (T.G.I.F.), mostrando a evolução da trajetória artística da cantora, desde o segundo álbum de estúdio, “One Of The Boys” (2008), até o mais recente, “143” (2024).
Durante todo o show, Perry foi acompanhada por uma equipe de dançarinos nos seis atos que compõem a apresentação: “Artificial”, “Woman’s World”, “Nirvana”, “Choose Your Own Adventure”, “Mainframe” e “End Game”.
Em “I Kissed A Girl”, Katy pegou uma bandeira do movimento LGBTQIA+ e exibiu durante toda a música. Aliás, a cantora faz questão de abordar temas que, em 2025, no século XXI, ainda necessitam de uma boa dose de conscientização para grande parte da sociedade.
Os shows da “The Lifetimes Tour” no Brasil geraram muita expectativa porque, estranhamente, Perry vem recebendo muitas críticas em relação ao formato das apresentações.
Na visão dessas pessoas, o espetáculo é “muito grandioso” e acaba deixando a música de lado em certos momentos.
Porém, se pensarmos dessa maneira, o que seria de álbuns como “A Night At The Opera” (1975), uma das obras-primas de Freddie Mercury com o Queen, “Operation Mindcrime” (1988), do Queensrÿche, ou “Tommy” (1969), do The Who?
Todos esses trabalhos são conceituais, pois contam uma história que vai se desenrolando à medida em que as músicas são apresentadas e é exatamente isso que Katy faz nos shows da nova turnê.
Esse tipo de postura revela o quanto a humanidade está presa à repetição e que ser igual aos outros, atualmente, virou a “maneira certa de agir”.
Assim, quando alguma banda, artista, escritor ou cineasta foge do lugar comum, as críticas vêm sem piedade.
Ser criativo virou um erro, pois essa pretensa regra invisível diz que, para “ser aceito”, você precisa falar, se vestir e pensar igual a uma parcela da humanidade que, naquele momento específico, está dando as cartas.
Entretanto, a história mostra que os maiores visionários que já passaram por este planeta não seguiram o status quo, pois preferiram traçar o próprio caminho.
Durante o espetáculo, enquanto as animações mostravam o embate de Katy contra o Mainframe, o staff da cantora fazia rapidamente os ajustes no cenário.
Em “Woman’s World”, por exemplo, os dançarinos montaram uma estrutura tubular no apêndice do palco, que chegava quase até o meio-campo da Arena da Baixada. Em seguida, Perry se posicionou nesse espaço para cantar bem perto do público.
Em “Last Friday Night (T.G.I.F.)”, Katy pegou uma guitarra para tocar, dando um ar mais Rock’n’roll a essa passagem da apresentação.
Tradicionalmente, um dos momentos mais emocionantes do show acontece quando Perry convida alguém do público para subir no palco.
Porém, dessa vez, o impacto foi ainda maior, pois a cantora chamou um fã que havia perdido a mãe recentemente. “Vou cantar ‘Only Love’ para o Christian e a Marilene”, disse Katy, com todo carinho.
Sabe aquela nossa reflexão inicial de que, nos momentos mais pesados, a música sempre está ali para fazer a pessoa seguir em frente? “Minha mãe sempre disse que sonhos se tornam realidade e, ontem, eu testemunhei isso. Lá do céu, ela ajudou para que isso acontecesse, sei disso! Ontem, Katy Perry foi a minha mãe. Como eu sempre disse, tenho duas mães. Ontem, minha família KatyCat me fez acreditar que nunca estarei sozinho, tão amado. Já são mais de 15 anos e aquele menininho do interior jamais desistiu de brilhar”, publicou Christian em um post no Instagram, logo após o show.
Os reflexos dessa interação com o fã foram grandes porque, após cantar a música seguinte, “Never Really Over”, Katy ficou agachada no palco durante alguns minutos, chorando, visivelmente emocionada com o que tinha se passado minutos antes.
Na parte final, antes de emendar “Roar”, “Daisies” e “Lifetimes”, Katy finalmente derrotou o Mainframe, entrou em um laboratório futurista e libertou as borboletas que estavam sendo mantidas em cativeiro.
“Firework”, cantada pelas quase 40 mil vozes que estavam presentes na Baixada, encerrou a apresentação.
Katy Perry entregou um show conceitual que vai além da música, incluindo mensagens que, por mais que sejam propagadas por artistas e bandas ao redor do mundo, ainda precisam ser muito trabalhadas na cabeça de algumas pessoas.
Isso se chama arte.
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