Testament, Thrash Metal sem concessões

O show no Tork N’ Roll foi o primeiro da banda na capital paranaense desde 2015

Existem shows que são uma aula prática do que um estilo musical significa, pois reúnem todos os elementos essenciais que fazem parte desse gênero específico.

Nesse domingo (17), no Tork N’ Roll, na apresentação da banda estadunidense Testament, os fãs curitibanos presenciaram um desses raros momentos.

Com a área em frente ao palco do Tork praticamente lotada, Chuck Billy (vocal), Eric Peterson e Alex Skolnick (guitarras), Steve DiGiorgio (baixo) e Chris Dovas (bateria) abriram o show com três músicas do álbum “Practice What You Preach” (1989): a faixa-título, “Sins Of Omission” e “Perilous Nation”.

O setlist do show foi um desfile de grandes clássicos do Testament, entre eles “The Haunting”, “Rise Up” e “Electric Crown”.

Em “Trail Of Tears”, que é praticamente uma balada, Chuck achou que era importante justificar a escolha. “Eu sei que essa é uma música estranha para estar em um show de Heavy Metal, mas foda-se! Nós gostamos de tocá-la!”, explicou.

Aliás, para criar uma conexão mais próxima com o público, Chuck fez questão de chamar os fãs de “meus amigos” e, em vários momentos, pediu desculpas pelo período no qual a banda ficou sem vir ao Brasil (a última turnê mais longa do grupo pelo país havia sido em 2017).

Outro momento marcante foi quando Chuck ofereceu “Return To Serenity”, faixa do álbum “The Ritual” (1992), especialmente para os fãs curitibanos.

Todos os integrantes do Testament são músicos técnicos e experientes, mas Alex e DiGiorgio se destacam.

No caso de Skolnick, o motivo desse protagonismo é que ele não faz parte da lista de guitarristas “fritadores” que usam somente a velocidade para construir os solos dentro das bandas de Thrash Metal. Acima de tudo, Alex foca na melodia e isso faz toda a diferença nas músicas do grupo.

Por sua vez, DiGiorgio é extremamente técnico e tem uma longa trajetória dentro do Heavy Metal. Entre as bandas das quais ele fez parte está o Death, o grupo do lendário Chuck Schuldiner, um visionário que criou algumas das diretrizes que definiram o que o Death Metal se tornaria a partir do final dos anos 1980.

Steve, aliás, protagonizou um momento de descontração durante o show quando foi apresentado por Chuck.

Sem nenhuma cerimônia, ao contrário dos companheiros de banda que preferiram a segurança da língua inglesa para se comunicarem, o baixista usou poucas e certeiras palavras em português para saudar o público: “Olá, Curitiba! Filha da puta!”, gritou antes de iniciar o riff de baixo da fantástica “Souls Of Black”.

Após “First Strike Is Deadly”, a banda se retirou rapidamente do palco. “Se vocês querem mais, façam barulho!”, disse Chuck.

Obviamente, sob os gritos incessantes dos fãs, o grupo voltou para encerrar o show com “Over The Wall”, “More Than Meets The Eye” e o clássico “Into The Pit”, que foi devidamente incorporado pelos fãs com uma roda de mosh pit que tomou conta de toda a área em frente ao palco.

Royal Rage

A abertura do show do Testament coube a banda curitibana Royal Rage. Pedro Ferreira (vocal e guitarra), Sol Perez (guitarra), Victor Müller (baixo) e Tiago Rodrigues (bateria) foram muito bem recebidos pelo público, o que não é uma situação muito comum nos grandes shows realizados na capital paranaense.

Afinal, apoiar o trabalho de quem é “prata da casa” (em qualquer segmento da nossa sociedade) não é uma atitude padrão em Curitiba.

Normalmente, os artistas locais precisam se destacar fora do estado (ou do país) para que sejam “notados” pelos próprios conterrâneos. No ano passado, por exemplo, a Royal Rage fez uma longa turnê pela Europa, com shows em cidades da Inglaterra, Alemanha, Holanda, França, Portugal, Suíça e Espanha.

No setlist, a banda priorizou as músicas do álbum “Evolve” (2024), que foi gravado no estúdio Armageddon, com produção assinada por Adair Daufembach. Entre elas, “Dawn Of A New Era” e “Into The Abyss”.

Destaque para “Lampião” que, como o próprio nome sugere, mistura elementos da cultura popular brasileira com a agressividade do Thrash Metal.

Unindo peso e melodia, o grupo (formado em 2017) teve uma performance forte e, levando em conta os comentários depois do show, conquistaram muitos fãs que ainda não conheciam o trabalho do Royal Rage. “A palavra que melhor define é: incrível! Desde o convite feito pela Liberation até a última nota que tocamos no palco, tudo nesse evento foi impecável. Tivemos uma equipe maravilhosa nos auxiliando e entregando a melhor performance possível, não deixaram a peteca cair em nenhum aspecto. E o público, nem se fala. O pessoal compareceu em peso, bateu cabeça, agitou e rolou até wall of death. Pra gente, ficou um gostinho de quero mais! Espero que possamos repetir a dose em breve!”, elogia Pedro.

O grupo encerrou a apresentação com “Real Dolls”. A apresentação do Royal Rage mostrou que ter uma banda local abrindo os shows dos grandes nomes da música nacional e internacional que desembarcam em Curitiba deveria ser regra, pois esse tipo de ação resulta na formação de um público para os artistas da cidade e isso faz toda a diferença.

Claramente, as bandas curitibanas não podem ficar restritas exclusivamente ao nicho de quem acompanha mais de perto a cena. Elas precisam ser vistas por pessoas que não frequentam esse circuito, justamente, para que o alcance do trabalho delas seja maximizado.

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