No show em Curitiba, Manu Chao afirma: ninguém é ilegal!
Compartilhe!


A apresentação no Tork N’ Roll foi uma grande celebração de uma rara união de música e atitude
O mundo atual é limitado por muros irracionais, pois as barreiras invisíveis estão cada vez mais em voga, delimitando onde e quando cada um de nós pode estar.
Acima de tudo, o mas impressionante é que boa parte delas foram erguidas não por poderosos, mas pela população mais vulnerável que acaba ingenuamente se submetendo a eles.
O cantor, músico e compositor francês Manu Chao sempre foi a antítese dessa realidade medieval nefasta ressuscitada na última década em diversos países do mundo.
Nessa quarta-feira (20), no Tork N’ Roll, em Curitiba, durante quase três horas, Manu celebrou ao lado do público, que praticamente lotou a casa, essa contracultura em extinção no universo musical.
Acompanhado por Matumati (violão), Emanuelle Valencia (trombone) e Miguel Rumbao (percussão), Chao abriu o show com “Tantas Tierras”, “Vecinos en el Mar” e “Forzando Maquina”.
A obra de Manu é repleta de referências a conceitos que estão muito bem definidos no pensamento dele, como a liberdade, o respeito e a valorização das próprias raízes e essa postura esteve presente em todo o show, durante as músicas e nas conversas com os fãs.
Para alegria dos fãs, o setlist foi composto por muitas faixas do álbum “Clandestino” (1998), CD que apresentou o trabalho de Chao ao público brasileiro.
Antes de “La Vida Tombola”, que faz referência a Diego Armando Maradona, Manu pediu aplausos para o astro argentino e para Sócrates (dois jogadores outsiders, que possuíam uma consciência política acima da média no mundo esportivo), e para Garrincha, o “Anjo das Pernas Tortas”, que fez do drible e da improvisação suas grandes armas dentro de campo e teve uma morte trágica e prematura devido ao alcoolismo.

Solo, voy com mi pena
Um dos grandes momentos do show foi justamente “Clandestino”, canção que retrata a vida de um refugiado ou de um imigrante que tenta reconstruir a vida fora de seu país de origem e enfrenta todas as dificuldades que essa nova realidade impõe.
Na parte final da apresentação, o vocalista da banda curitibana Djambi, Rodrigo “Xaba”, foi chamado ao palco para cantar “Argamassa”, um dos clássicos do Reggae paranaense.
A atitude mostra muito bem o caráter de Manu, valorizando a cena local e os artistas da América Latina em um belo exemplo, inclusive, para a própria capital paranaense.
No bis, o quarteto enfilerou nada menos do que 12 canções divididas em três blocos, encerrando o show com “Minha Galera”.
Em tempos de superproduções megalomaníacas que, em alguns casos, mascaram a falta de conteúdo, Manu Chao se mantém fiel ao que é e ao que sempre representou, valorizando um cenário no qual a mensagem tem um poder gigantesco e todas as músicas são baseadas nessa força.
Aproveite para assinar o Cwb Live, pagando a quantia que você achar justa. É só acessar a plataforma Catarse (campanha “Eu Apoio o Cwb Live”).
Assim, você ajuda o site a se manter na ativa, fazendo um jornalismo independente e com conteúdos exclusivos (entrevistas em texto e vídeo, coberturas de shows, fotos, vídeos e matérias).
Inscreva-se no nosso canal no YouTube para assistir aos vídeos de shows e entrevistas exclusivas e siga as nossas redes sociais no Instagram e Facebook.






