Barão Vermelho e o rock brasileiro: uma sinergia perfeita

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O show da formação clássica do grupo no Igloo Super Hall foi um desfile de grandes clássicos

No mundo da música, algumas bandas possuem uma formação que, ao vivo, transcende o que um bom espetáculo pode proporcionar.

Nesse sábado (29), no show da turnê “Barão Vermelho Encontro”, o público curitibano que praticamente lotou o Igloo Super Hall teve uma oportunidade única de presenciar um desses momentos mágicos por meio da reunião de Frejat (vocal e guitarra), Dé Palmeira (baixo), Maurício Barros (teclado e vocal) e Gutto Goffi (bateria), integrantes da formação original da banda, além de Fernando Magalhães (guitarra), que acompanha o grupo desde 1987.

Rafael Frejat (violão, guitarra e backing vocals), Jussara Moreno (backing vocals), Cesinha Brunet (percussão), Zé Carlos Bigorna (saxofone), Diogo Gomes (trompete) e Marlon Sette (trombone) completam o grupo nos shows da turnê.

Rock’n Geral!

Após um vídeo mostrando um pouco do que foi a trajetória da banda, intercalado com imagens marcantes da história do Brasil (entre elas as manifestações populares a favor das eleições diretas e Ayrton Senna com a bandeira do Brasil comemorando uma vitória dentro do mítico carro da McLaren), a banda iniciou o show com “Maior abandonado”, “Pedra, flor e espinho” e “Pense e dance”.

No setlist, o grupo incluiu os grandes sucessos, mas também encontrou espaço para músicas sensacionais que só são lembradas pelos fãs mais fiéis, entre elas “Cuidado” e “Não me acabo”, e algumas versões como “Quando o sol bater na porta do seu quarto” (Legião Urbana) e “Malandragem dá um tempo” (Bezerra da Silva), cantada por Maurício Barros com a maestria e a malemolência que só os cariocas consegue ter.

Antes de “Eu queria ter uma bomba”, Frejat contou que essa música foi “esquecida” deliberadamente pela banda durante muito tempo porque, quando foi lançada, a mídia brasileira afirmou que ela era a estreia de Cazuza na carreira solo, logo após resolver deixar o Barão.

Essa situação criou um trauma que os integrantes do grupo só superaram muitos anos depois porque, na verdade, ela era a última gravação do vocalista com a banda, uma espécie de despedida interpretada erroneamente pela imprensa.

Um dos momentos mais fortes do show foi “Meus bons amigos”, do álbum “Carne Crua” (1994), que tem uma daquelas letras que só as grandes bandas dos anos 1980 sabiam criar, unindo poesia e uma boa dose de realidade urbana.

Outra dessas ocasiões mágicas foi ouvir a formação clássica do Barão tocando “O tempo não para”, um dos hinos não oficiais do Brasil ao lado de “Pátria amada” (Inocentes) e “Até quando esperar” (Plebe Rude), pois retrata poeticamente o país de uma maneira brilhante.

Durante a apresentação, ficou muito nítido que a forte presença de palco do baixista Dé Palmeira é igualmente proporcional ao peso que ele adiciona ao som do Barão. Conectado com Guto Goffi, a dupla cria uma “cozinha” que poucas bandas no mundo têm.

Depois da dançante “Puro êxtase”, a banda saiu do palco durante alguns minutos, voltando em seguida para tocar “Bilhetinho azul” em uma versão acústica, só com violão, percussão e voz.

Em seguida, veio a belíssima “O poeta está vivo” (cantada por todo o público) que tem um dos solos mais espetaculares da história do rock brasileiro, criado e interpretado por Fernando Magalhães com uma alma que arrepia até o mais discreto dos fãs.

“Por que a gente é assim” e “Pro dia nascer feliz” fecharam o show, fazendo com que o Barão deixasse o palco ovacionado pelo público.

O que se viu em Curitiba foi uma grande celebração, com todos os músicos nitidamente se divertindo no palco, curtindo cada momento juntos e esquecendo qualquer desavença que, porventura, possa ter acontecido no passado.

Nos últimos anos, as bandas brasileiras vêm presenteando os fãs com turnês que reúnem as formações clássicas desses grupos (no caso do Barão, os integrantes originais não se apresentavam juntos desde a saída do baixista Dé Palmeira, em 1990).

Nessas ocasiões especiais, mais do que assistir a um show, a nossa obrigação é reverenciar a trajetória desses artistas que construíram as bases de tudo o que é ouvido hoje no Brasil e possuem uma obra que raramente será reproduzida na era das plataformas de música digital.

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