Spin Doctors, a banda que teve a coragem de ir na contramão do Grunge
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O quarteto de Nova York é uma das atrações do festival “Somos Rock”, que chega à capital paranaense no dia 26 de abril, na Live Curitiba
A estreia da banda estadunidense Spin Doctors no Brasil aconteceu em 1995, abrindo simplesmente os shows dos Rolling Stones na gigantesca turnê “Voodoo Lounge” no Rio e em São Paulo.
Agora, 31 anos depois, o grupo vem pela primeira vez a Curitiba como uma das atrações do festival “Somos Rock”, que acontece no dia 26 de abril, na Live, ao lado das bandas Echo And The Bunnymen, Os Paralamas do Sucesso, Smash Mouth, Candlebox, Detonautas e Raimundos.
Naquele longínquo início da década de 90, quando o grupo pisou pela primeira vez em solo brasileiro, o guitarrista da formação original dos Doctors, Eric Schenkman, havia saído da banda apenas três semanas antes do início da tour. “O cara que estava tocando guitarra na época, embora se parecesse um pouco comigo, não era eu. Ele não durou muito tempo (as bandas passam por todos os tipos de mudanças ao longo de suas existências)”, diz o músico.
Nessa tour com os Stones, os Doctors estavam divulgando o segundo álbum, “Turn It Upside Down” (1994), mas ainda colhiam os louros proporcionados por “Two Princes”, o grande sucesso do grupo até hoje.
A faixa faz parte do álbum de estreia, “Pocket Full of Kryptonite” (1991), que apresentou a banda ao mundo por meio de uma sonoridade mais trabalhada, fugindo da crueza do Grunge, que dominava as rádios em todo o mundo. “Sem dúvidas, esse é o meu álbum favorito do Spin e o que retrata melhor o nosso som. O novo é o meu segundo favorito”, afirma.
“Two Princes” trazia uma atmosfera bem alto astral que não se parecia em nada com a melancolia muito presente nos ícones que surgiram em Seattle, como o Nirvana, o Alice In Chains e o Soundgarden. “Esse riff é meu, escrevi com o Chris e o Aaron. A história é toda do Chris, é a experiência dele, uma letra ótima. O groove é do Aaron, do Chris, do Mark e meu. Ela é toda dançante, uma das minhas músicas favoritas, e fico muito feliz que tenha feito sucesso”, diz.
Quando “Pocket Full of Kryptonite” foi lançado, algumas bandas brasileiras, principalmente as que buscavam um som mais trabalhado, foram influenciadas pela sonoridade baseada em riffs quase constantes e uma atmosfera Southern Rock apresentada pelos Spin Doctors.
Surpreendentemente, um dos maiores nomes da MPB também, de certa maneira, influencia o trabalho de Schenkman, pois faz parte da playlist do guitarrista. “Não conheço muito sobre bandas brasileiras, mas o Gilberto Gil é um dos meus artistas favoritos no mundo! Gosto particularmente da ‘Expresso 2222’ e das músicas dele do início dos anos 1970”, elogia.

Face Full of Cake
Acompanhado por Chris Barron (vocal), Jack Dealey (baixo) e Aaronn Comess (bateria), Schenkman vem ao Brasil para apresentar o novo álbum dos Doctors.
“Face Full of Cake” (2025) chegou cercado de expectiva por parte dos fãs porque é o primeiro trabalho de estúdio do grupo desde “If The River Was Whiskey” (2013).
O CD marca uma retomada do que banda se propôs a fazer desde o início, mas com uma nova formação. “Gravamos com o Jack Daley, nosso novo baixista, que é simplesmente incrível e vem da banda do Lenny Kravitz”, diz.
O interessante é que, além de assumir os graves da banda, Daley também cedeu o próprio estúdio, em Nova Jersey, para que o grupo gravasse o álbum. “Foi tudo muito rápido, a gente costuma trabalhar bem rápido. Acho que gravamos tudo em duas semanas. Não tenho palavras para descrever como foi trabalhar com os outros três caras, porque a gente se dá muito bem e trabalha super bem juntos! Foi muito divertido gravar esse disco e acho que isso transparece no resultado final”, complementa.
Obviamente, o grupo teve que lidar com as “tentações” da tecnologia do século XXI, algo que, na prática, dá uma carta branca aos artistas e produtores para alterarem o que quiserem nas gravações, algo muito diferente da realidade que existia no início dos Doctors.
Diante desse novo contexto, uma das grandes preocupações do grupo em “Face Full of Cake” foi tentar manter aquele som mais puro que, no caso do Spin Doctors, fez com que a banda se destacasse em meio à invasão do Grunge. “É claro que existe muita tecnologia disponível, mas gostamos de trabalhar com nossos instrumentos e focar na música, não tanto em consertar coisas e usar muito o computador”, diz.
Porém, mesmo com a confiança na banda e nas novas músicas, Schenkman naturalmente não sabia como seria a aceitação do público após mais de uma década sem lançar material novo.
Foi durante os shows da turnê que o guitarrista percebeu que os fãs absorveram muito bem o novo material e que ele não se perdia entre os grandes sucessos dos Doctors. “As músicas se complementam e a resposta do público foi, sem dúvidas, ‘sim, isso é Spin Doctors’! O melhor de ‘Face Full of Cake’ é que o material combina perfeitamente com as músicas dos nossos dois primeiros álbuns de estúdio em nossos shows ao vivo. A faixa que mais me agrada é a ‘Still a Gorilla’. Escutem!”, analisa.
Essa confiança existente tanto no estúdio quanto no palco se reflete na atmosfera das apresentações, pois Eric sente que a banda está em um ótimo momento profissional e pessoal. “Estamos todos muito entrosados, mas historicamente, Chris, Aaron e eu somos realmente o núcleo da banda. Funcionou muito bem com o Mark e funciona muito bem com o Jack também”, conta.
Ou seja, o show tem tudo para agradar aos fãs que terão a primeira oportunidade de ver Schenkman e seus companheiros ao vivo em Curitiba.
Afinal, o contato com o público é o que mantém bandas como os Spin Doctors, que está prestes a completar 40 anos de vida, ainda na estrada. “Para ser sincero, não sou muito fã de viajar, mas o importante é tocar ao vivo. Eu adoro, nós adoramos!”, finaliza Schenkman.
Os ingressos para o show na capital paranaense podem ser adquiridos na plataforma Ticket Master, com valores a partir de R$ 180,00 + taxa administrativa (meia-entrada, Pista, lote 2).
A bilheteria oficial do evento, onde não existe a cobrança da taxa de conveniência, fica no Estádio Major Antônio Couto Pereira (Rua Amâncio Moro, s/n, Alto da Glória), ao lado da entrada da administração.
O local funciona de terça a sábado, das 10h às 17h. Não abre nas segundas-feiras, feriados, emendas de feriados, dias de jogos ou outros eventos. Confira todas as informações na nossa agenda.
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