Coolritiba se consolida como um festival que valoriza a cena local
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Além de ver artistas de renome nacional, o público que compareceu ao evento também teve a oportunidade de conhecer um pouco da música que é feita na capital paranaense
Mesclando grandes nomes da MPB com bandas e artistas que surgiram mais recentemente no cenário brasileiro, o Festival Coolritiba claramente caiu no gosto do público curitibano, principalmente dos jovens.
Mostrando bem essa atmosfera eclética do evento, as atrações da 8ª edição, realizada nesse sábado (23), na Pedreira Paulo Leminski e na Ópera de Arame, foram o projeto Dominguinho (uma celebração da obra de Dominguinhos comandada por João Gomes, Jota.pê e Mestrinho), Seu Jorge convida Criolo, Gilsons, AnaVitória, Lagum, Marina Sena, Céu, Os Garotin convida Fat Family, Djonga, Budah, Ana Frango Elétrico, Chico Chico, Mundo Livre S/A, Janine Mathias e Wes Ventura convida Dimelo.
Durante as 12 horas de shows, tanto a Pedreira quanto a Ópera, que agora estão conectadas dentro do Parque Jaime Lerner, ficaram praticamente sempre lotadas, mostrando que o público da capital paranaense é bem diverso e tem capacidade de abraçar todos os estilos musicais.
Porém, o que mais chamou atenção no festival foi a atitude dos organizadores no sentido de abrir espaço para quem faz música em Curitiba e raramente encontra oportunidade nos grandes eventos realizados na cidade.

Curitiba tem Samba, sim, senhor!
Na Ópera de Arame, a cantora Janine Mathias encantou o público com seu Samba raiz, mostrando muita sensibilidade, talento e atitude.
Janine é uma das mais belas vozes da música brasileira e usa esse trunfo de maneira certeira dentro das melodias das canções, impondo tons mais graves nas passagens reflexivas e soltando o grito quando a contundência das letras pede uma inflexão maior.
Ao lado da competentíssima banda É Nóix, a cantora apresentou canções autorais, retiradas do EP “Eu Quero Mergulhar” (2012) e dos álbuns “O Rap do Meu Samba” (2025) e “Dendê” (2018), e versões para alguns clássicos do Samba, entre eles, “Deixa Pra Lá”, de Leci Brandão. “O público recebeu a gente muito bem, nós tivemos uma energia sensacional! Fomos a banda de abertura e sentimos um pouco quanto à quantidade de pessoas, mas também sentimos a presença das que estiveram lá. Nós somos artistas prontos para tocar em eventos que reforcem o que é feito de Curitiba para o mundo. Seguimos nesse percurso, entendendo que muitos dos que estiveram lá estarão ao lado da gente”, diz Janine.
O show de Janine Mathias reforçou uma realidade que parece incomodar algumas incautas “autoridades” da capital paranaense que, em vez de fomentarem a cena cultural da cidade, fazem o caminho contrário, insistindo em desvalorizá-la.
Obviamente, conhecendo de perto a música feita por aqui ou pesquisando (o Google está aí para ajudar), é muito fácil constatar que Curitiba também possui artistas sensacionais dentro do gênero mais tradicional da cultura brasileira.

I’m a Soulman
Outro show que chamou muita atenção na Ópera foi o do cantor Wes Ventura, com uma mistura potente de Soul, Blues e Rock que incendiou o público.
Ao lado de uma banda formada por grandes músicos da cidade, entre eles, a trombonista Fernanda Cordeiro e o baterista Denis Mariano, Wes apresentou um setlist com base no EP “Melanina no Fubá” (2024), além de canções novas que ainda não foram gravadas, como “Baobá” e “No Anzol”.
Atualmente, além do EP, a discografia do cantor também conta com os singles “Em Cima do Muro” (2019), “Só Pra Nós Dois” (2023), “Molho” (2026) e “É No Balanço” (2026).
Wes nasceu em Barretos, no interior de São Paulo, mas mora em Curitiba há 12 anos e construiu toda uma trajetória artística muito peculiar, tocando principalmente na Rua XV e dentro dos ônibus que circulam pela capital paranaense.
Foi nesse ambiente desafiador que ele forjou uma personalidade contestadora e colheu subsídios que serviram de matéria-prima para o próprio trabalho.
Vivenciando esse batismo de fogo, quando surgiu a oportunidade concedida pelo Coolritiba, Ventura estava plenamente preparado para encarar o desafio. “Estar num festival desse é o sonho de todo artista! Tudo o que nós (que estamos nesse corre independente há muitos anos) precisamos é sermos ouvidos. Estar no palco do Coolritiba, onde boa parte das pessoas não nos conhecia, foi uma oportunidade de mostrar o nosso trabalho para um público novo. Só posso a agradecer a confiança dos organizadores!”, elogia Wes.
O show ainda contou com a participação especialíssima do cantor pernambucano Di Melo, um dos principais responsáveis por difundir a Black Music no Brasil.

A presença da cena curitibana no grande palco da cidade
Entre tantos shows gigantescos que a capital paranaense vem recebendo nos últimos anos, a grande contribuição do Coolritiba é a inclusão da cena curitibana no line-up do evento, principalmente no Parque Jaime Lerner, que abriga dois palcos icônicos. “Valorizar os artistas da nossa cidade sempre foi uma preocupação muito presente dentro do Coolritiba. Acreditamos que um festival também precisa ser uma vitrine para quem está construindo a cena cultural local todos os dias” afirma Gian Zambon, sócio da Seven Experience e idealizador do Coolritiba.
Afinal, é óbvio que, durante um festival desse porte, o público que acompanha os artistas conhecidos nacionalmente sempre se fará presente, mas perceber que os curitibanos começam, ainda que timidamente, a conhecer os pratas da casa, é um ponto gigantesco para os organizadores do evento. “Ao longo dos anos, o festival ajudou a apresentar artistas para novos públicos e criou encontros que talvez não acontecessem em outros contextos. Quando nomes como Janine Mathias, Wes Ventura e tantos outros sobem ao palco, eles não estão ali apenas representando seus próprios trabalhos, mas toda uma produção cultural muito rica que existe em Curitiba. O Festival Coolritiba tem orgulho de fazer parte desse movimento e de contribuir para que esses artistas ganhem cada vez mais visibilidade dentro e fora da cidade”, complementa Zambon.
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