Pete Agnew mantém vivo o legado do Nazareth
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O público lotou o Tork n’ Roll, em Curitiba, para assistir ao show de uma das lendas da história do rock
Da metade dos anos 1980 até o início da década de 1990, o Studio 1.250, a Sociedade Abranches, o Clube Operário e a Sociedade 13 de Maio eram o habitat natural da emergente cena metal curitibana.
Nessas casas, nas quais os “metaleiros” se reuniam para rachar um intragável hi-fi (drink miserável feito com refrigerante de laranja e a vodca mais barata que existisse na praça) e ouvir algo mais pesado do que os DJs apresentavam nas baladas tradicionais da época, as canções do Nazareth eram uma trilha sonora obrigatória.
Entre as razões que levaram a essa idolatria está o fato de que eles foram um dos grupos que fizeram a “ponte” entre o rock setentista e o nascimento do heavy metal, nos anos 1980.
Pois bem, dentro do universo do rock, uma das coisas que mais merecem respeito é a fidelidade dos fãs em relação a uma banda ou artista.
Afinal, quando existe uma conexão forte o suficiente para resistir às mudanças inevitáveis que surgem durante a trajetória, esse elo nunca é quebrado
Foi exatamente isso que o público que lotou o Tork N’ Roll, nesse sábado (25), em Curitiba, pôde perceber de maneira muito clara.
Nazareth
A capital paranaense é uma das maiores casas do Nazareth em todo o mundo e essa fidelidade foi colocada a prova em todas as ocasiões nas quais a banda tocou em Curitiba.
Desde o começo do show, o quarteto formado por Peter Agnew (baixista e um dos fundadores do grupo escocês), Jimmy Murrison (guitarra), Lee Agnew (bateria) e o novo vocalista da banda, o suíço Gianni Pontillo, sentiu essa sinergia na alma e no coração.
Obviamente, a expectativa dos fãs recaiu imediatamente sobre Pontillo, que fazia a estreia em Curitiba e dividia as opiniões entre os que gostaram da indicação e os que afirmam que a banda não deveria seguir sem Dan McCafferty.
Dono de uma voz inigualável, Dan faleceu em 2022, mas já não fazia parte do grupo desde 2013, quando decidiu se aposentar devido ao agravamento de um problema nos pulmões.
Mesmo assim, alguns fãs ainda não se sentem confortáveis ao ver o grupo seguindo sem ele.
Baladas poderosas
O Nazareth abriu o show com “Telegraph”, “Miss Misery” e “Razamanaz”, fazendo com que, aos poucos, a desconfiança em relação a Pontillo se dissipasse.
Tranquilo à frente do grupo e desempenhando os vocais sem nenhuma dificuldade, o cantor demonstrou muita simpatia e, o que mais interessa, interpretou as canções com uma performance muito próxima das gravações originais.
Peter, no melhor estilo dos baixistas dos anos 1960/70, tocou com muita discrição, enquanto Morrison chamou a atenção por utilizar uma técnica toda pessoal, dispensando o uso da palheta.
Lee, filho de Pete, também segue a linha do pai ao tocar de maneira low-profile, fazendo a cozinha rítmica para que as canções falem por si mesmas.
As baladas “Love Hurts”, “Dream On” e “Where Are You Now” foram as músicas mais celebradas do setlist.
Essas três canções possuem uma força descomunal imposta pela interpretação de McCafferty e que não se perdeu com o passar das décadas.
“Love Leads to Madness” e “Hair of the Dog” também levantaram o público.
Pontillo manteve o tom das músicas durante todo o show e isso, ao contrário do que muitos pensam, não é nada fácil de fazer.
Afinal, a voz do novo frontman da banda é naturalmente rouca e o esforço que ele faz para manter a entonação exige muita técnica.
“Go Down Fighting” encerrou o show. Para quem acompanha de perto o trabalho das bandas que se tornaram referências dentro do rock, é naturalmente difícil ver o Queen sem Freddie Mercury, assim como foi estranho assistir ao Iron Maiden sem Bruce Dickinson ou o Judas Priest sem Rob Halford.
Porém, se quisesse seguir reverenciando o legado do Nazareth (e do próprio Dan McCafferty), Pete não tinha outra opção a não ser escolher um vocalista que pudesse cantar os sucessos do grupo com o respeito que eles merecem.
Com Gianni Pontillo, Agnew parece ter enxergado que o trabalho construído nos 45 anos nos quais Dan esteve com a banda não seria manchado.
Phornax
A abertura da noite coube à banda gaúcha Phornax. Com um som pesado e muito bem trabalhado, Cristiano Poschi (vocal), Deivid Moraes e Eduardo Martinez (guitarras), Sfinge Lima (baixo) e Maurício Dariva (bateria) ganharam o respeito do público com uma performance cheia de energia.
Como o Tork já estava lotado quando a banda começou a tocar, o Phornax teve uma plateia sensacional para apresentar o trabalho do grupo.
Mostrando influências que vão de Testament a Judas Priest, as harmonias construídas como base para o vocal de Cristiano se destacam na sonoridade do quinteto.
O show faz parte da turnê de divulgação do álbum “Hellforge” (2026), o primeiro full length do grupo, formado em 2009 por Cristiano e Dariva.
Dentro do setlist, destaque para “Seeds of Strife”, faixa do debut que demonstra muito bem o poderio da banda e as referências que eles procuram incorporar.
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