Texto: Marcos Anubis
Fotos e revisão: Pri Oliveira

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O Capital Inicial é uma banda que encontrou um ponto de junção perfeito entre o Rock e o Pop. Com esse “toque de Midas”, o grupo conseguiu sobreviver ao tempo e, ainda hoje, é capaz de compor sucessos e lotar seus shows em todo o país.

Na sexta-feira (24) e no sábado (25), a banda fez duas apresentações no Teatro Positivo, em Curitiba. Os shows fazem parte da turnê de divulgação do recém-lançado CD/DVD “Acústico NYC”, trabalho que retrata a produção fonográfica do Capital entre 2003 e 2014.

“Acústico NYC” foi gravado na casa de shows Terminal 5, em Nova York, e produzido pelo músico Liminha. O álbum tem três canções inéditas: “Doce e amargo”, “A Mina” e “Vai e vem”, além de contar com participações de Lenine, do Seu Jorge e do ex-guitarrista do Charlie Brown Jr., Thiago Castanho.

Casa cheia

Com o Teatro Positivo lotado, o grupo iniciou o show com a trinca “Ressurreição”, “A mina” e “Mais”. O setlist teve praticamente todo o repertório do “Acústico NYC” tocado em sequência.

Na apresentação, Dinho Ouro Preto (vocal), Yves Passarell (violão), Flávio Lemos (baixo) e Fê Lemos (bateria) foram acompanhados por Fabiano Carelli (violão), Robledo Silva (teclado) e Marivaldo dos Santos (percussão). Thiago Castanho, ex-Charlie Brown Jr., foi o convidado especial.

Antes de “Respirar você”, sob um misto de aplausos e vaias, Dinho exibiu uma camisa azul com o nome do juiz Sérgio Moro e falou sobre a “República de Curitiba”. Durante o show, o vocalista fez várias referências ao momento político do país. “O poder corrompe! Sentou naquela cadeira, fodeu!”, disse.

Capital Inicial - Teatro Positivo - 24/06/2016

A produção do espetáculo e, principalmente, a iluminação do palco, foram um espetáculo à parte. Com cores e intensidades diferentes, as luzes criavam um clima ora mais forte, ora mais sutil, dependendo da canção executada.

A Legião Urbana também esteve presente no setlist: devido à amizade entre seus integrantes, os dois grupos construíram as suas carreiras praticamente juntos. A homenagem foi composta por duas músicas. Uma delas foi “Que país é esse?”.  Antes, Dinho afirmou que, apesar de terem decidido não tocar mais essa canção, eles sentiam que, atualmente, era quase um “dever cívico” voltar a apresentá-la.

A outra foi “Tempo perdido”. Conversando com o público, o vocalista contou que em um dos shows da Legião em São Paulo, após o lançamento do primeiro disco do grupo de Renato Russo, Dinho e seus companheiros presenciaram um momento mágico. “Eles foram tocar em um lugar minúsculo e não tinha ninguém lá, só a gente. De repente, eles começaram a tocar essa música e todos nós ficamos de queixo caído!”, relembrou.

“Quatro vezes você” encerrou a primeira parte do show, dedicada ao “Acústico NYC”. Na volta para o bis, a banda apresentou alguns dos grandes sucessos que marcaram a sua carreira, entre eles “Veraneio vascaína”, “Música urbana” e “Independência”, além das belíssimas “Fogo” e “Fátima”.

“Primeiros erros”, cantada de forma emocionada pelo público, encerrou a apresentação, que teve praticamente duas horas e meia de duração. “Nós nunca tocamos tanto na nossa carreira”, brincou Dinho.

O novo trabalho do Capital Inicial relembra o renascimento da banda, há quase duas décadas, com o lançamento do CD/DVD “Acústico MTV” (2000). Ali, aconteceu a grande virada na carreira mais recente dos brasilienses. O sucesso de músicas como a regravação de “Primeiros erros”, de Kiko Zambianchi, impulsionou o sucesso do grupo e criou uma nova geração de fãs. Atualmente, o Capital não precisa renascer, mas “Acústico NYC” promete colocar a banda ainda mais em evidência.

Confira três músicas do show: “Primeiros erros”, “A sua maneira” e “Vai e vem”.