Texto: Marcos Anubis
Tradução e revisão: Pri Oliveira
Foto: Reprodução/Facebook Cenobites

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A banda holandesa Cenobites se apresenta no próximo domingo (7), na penúltima noite do Psycho Carnival. Essa é a sexta vez que o grupo vem a Curitiba, o que o torna um dos veteranos do evento. “Temos várias lembranças boas. O primeiro ano foi esmagador: país diferente, pessoas diferentes, mesmo gosto para músicas e bebidas… Nós fizemos vários amigos naquele ano e essa também é a principal razão para querermos voltar sempre”, diz o vocalista Dimitri Hauck.

O público que for ver o show do Cenobites, e não estiver familiarizado com o som do grupo, vai se impressionar com o peso e violência das músicas. P.G. Vogeli (baixo e backing), Rudo Reject (guitarra), Timothy Lovell (bateria) e Dimitri Hauck (vocal), chegam muito perto do Thrash Metal em algumas passagens de suas canções. “Cada membro da banda tem a sua própria influência nas músicas que fazemos. Todos nós gostamos de curtir uma boa adrenalina que um álbum de Rock ‘n’ Roll proporciona. Nós fazemos o tipo de música que gostaríamos de ouvir quando estamos em casa ou dirigindo o nosso carro”, explica.

A ligação do Cenobites com o Heavy Metal é tão latente que o grupo chegou a gravar uma versão para o clássico “Black Metal” do Venom. “Cada membro da banda traz suas próprias influências para as músicas que fazemos. E, no final, fazemos um Psychobilly bastante pesado. Nem todo mundo na cena gosta do que estamos fazendo. Mas em vez de mudarmos o nosso estilo para assim conquistar mais psychobillies tradicionais, nós decidimos pelo cover de uma música de uma das primeiras bandas que fez Rock ‘n’ Roll demoníaco. Foi assim que acabamos tocando Venom”, conta.

A “volta” de um velho conhecido

O mais recente álbum do Cenobites é “Aftermath – The Nuclear Sessions”, lançado no ano passado. O CD se tornou especial para os fãs e para os integrantes do grupo porque teve a participação do ex-guitarrista Alien, um dos membros fundadores da banda, que saiu do grupo em 1997. “Foi muito legal trabalhar com ele novamente, depois de todos esses anos. Nós gravamos a música quando completamos o nosso vigésimo aniversário. Quando eu perguntei se ele queria fazer um remake de uma velha música do Cenobites, ele imediatamente disse sim”, diz Dimitri.

Alien participou da faixa “Legal Killer”, uma regravação da música originalmente lançada em 1997 como single. Nas palavras do próprio Dimitri, Alien ainda é lembrado pelos fãs do Cenobites. “Mesmo que pareça que ele tenha sido parte da banda há uns cem anos, ainda há pessoas que sentem falta dele, e gravar com ele foi a melhor forma de agradecê-lo pelos primeiros cinco anos com a banda. E também de agradecer aos fãs que têm sido tão leais a ele e a nós por todos esses anos”, complementa.

Como um expoente do Psychobilly holandês, o Cenobites vem acompanhado de perto a evolução da cena em seu país. “A cena na Holanda está como sempre foi: tem altos e baixos! Atualmente nós estamos em uma fase tranquila. Não há muitas bandas novas por aqui e também não vemos muitas novas pessoas vindo aos shows. Mas nós sabemos como é, em alguns anos pode surgir toda uma nova geração de caras, proporcionando à cena um novo impulso” analisa.

No próximo domingo, os curitibanos poderão conferir de perto o Psychobilly violento do Cenobites. E, se faltava motivo para você ir ao Jokers Pub se divertir em uma, ou em todas as noites do festival, leia o que Dimitri fala sobre a imagem que o Psycho Carnival tem fora do Brasil: “Nós sabemos de várias pessoas que ficam realmente com inveja cada vez que anunciamos uma nova ida ao Brasil. Não apenas porque nós temos a oportunidade de ir, mas porque o festival tem uma grande reputação. E não são só as bandas europeias que gostariam de ir, mas também todos os psychobillies daqui gostariam que o Vlad e todos os amigos dele os visitassem”, finaliza Dimitri.

Isso realmente deve ser motivo de orgulho para seus organizadores e para toda a cena psycho curitibana.