Essa foi a segunda vez que os Foo Fighters vieram a Curitiba, desta vez, com a abertura do Garbage e do Wet Leg

Para os fãs, ou para quem acompanha profissionalmente o mundo da música, é muito bom perceber que ainda existem bandas e artistas que não se rendem ao peso do tempo e continuam a ter prazer quando tocam ao vivo.

Nessa quinta-feira (7), as quase 45 mil pessoas que lotaram o Estádio Couto Pereira, em Curitiba, viram que Dave Grohl e seus Foo Fighters ainda mantêm essa chama acesa, mesmo após 29 anos de estrada.

Afinal, eles tocaram por quase três horas e fizeram a alegria dos fãs com grandes clássicos da trajetória da banda e até com as já tradicionais “brincadeiras” que o grupo faz com músicas de outros artistas.

Perto das 21h, acompanhado por Pat Smear (guitarra), Nate Mendel (baixo), Chris Shiflett (guitarra), Rami Jaffee (teclados) e Josh Freese (bateria), Dave Grohl (vocal e guitarra) entrou correndo no palco, alucinado e, depois de percorrer os dois lados da estrutura para saudar os fãs, ele se posicionou no microfone, encarando o público com um ar de expectativa.

Em seguida, aos primeiros acordes distorcidos de “All my life”, o Couto Pereira explodiu, cantando junto com Dave. Em seguida, vieram “The pretender” e a belíssima “Learn to fly”.

Logo nesse início, foi possível perceber que uma das maiores características dos Foo Fighters é a simplicidade.

Assim como havia acontecido no show que eles fizeram em 2018, na Pedreira Paulo Leminski (leia neste link a nossa cobertura), além de um gigantesco telão posicionado atrás do palco, não existe nenhum outro artifício que tire a atenção do público (pirotecnia, luzes especiais, etc).

No setlist do show, o grupo incluiu músicas que retratam as diversas fases que marcaram as quase três décadas de vida dos Foo Fighters, entre elas, “Monkey wrench”, “This is a call”, “The sky is a neighborhood” e “Shame, shame”.

Além delas, a banda também aproveitou para apresentar três canções do novo álbum, “But Here We Are” (2023): “The glass”, “Rescued” e “The teacher”.

Em “Times like these”, Growl pediu ao público que cantasse a música junto com ele, pois essa sinergia faz parte dos shows do grupo. “Eu amo quando as pessoas cantam as nossas músicas comigo! Vocês são os melhores backing vocals do mundo!”, disse antes de começar a canção quase à capella, somente com os teclados Hammond de Rami Jaffee fazendo um leve fundo.

Em “Breakout”, Grohl pediu para que o público acendesse as luzes dos celulares e os fãs deram um lindo espetáculo no Couto Pereira (assista no vídeo abaixo).

Em seguida, Dave apresentou todos os músicos e cada um deles tocou um trecho de uma música preferida. Pat Smear, por exemplo, mandou “Blitzkrieg bop”, dos Ramones, e Mendel executou o riff de baixo de “Sabotage”, dos Beastie Boys.

“Esse é o cara que tornou possível que nós estivéssemos aqui hoje”, disse Growl para apresentar Josh Freese, pedindo uma grande e calorosa saudação de boas-vindas para o novo companheiro.

Porém, quando chegou a vez do próprio Dave, ele surpreendeu a todos tocando e cantando um trecho de “Stairway to heaven”, do Led Zeppelin. “Eu nunca tinha feito isso antes na minha vida!”, brincou.

Depois, a banda tocou “My hero”, com Growl fazendo a introdução na música apenas na guitarra e voz, acompanhado pelo público.

Durante o show, é claro que os olhos dos fãs estavam voltados para o baterista Josh Freese, que foi escolhido a dedo pela banda após a traumática e surpreendente morte de Taylor Hawkins, em março do ano passado.

Obviamente, ninguém tinha dúvida da capacidade de Freese, pois ele já navegou por diversos estilos musicais tocando com as várias bandas importantes das quais participou.

Entre elas, estão Nine Inch Nails, DEVO, The Offspring e Suicidal Tendencies. Além disso, Freese também integrou os grupos de apoio do cantor, músico e compositor inglês Sting e do guitarrista do Guns N’ Roses, Slash.

Apesar de toda essa experiência, a pegada violenta e a desenvoltura de Josh durante o show deixou o público impressionado, pois as apresentações dos Foo Fighters estão entre as mais longas do circuito e Freese teve que aprender o setlist dos shows em pouco tempo.

Em “Aurora”, Grohl explicou que essa é uma canção que eles adoram tocar e que sempre fará parte dos shows dos Foo Fighters. “Essa era a música favorita do Taylor”! Em seguida, todo o público que lotava o estádio fez uma bela homenagem, gritando o nome do baterista.

No final da canção, o público encheu e soltou os balões brancos que foram distribuídos pelos seguranças que estavam posicionados em frente ao palco.

Na sequência, a banda emendou a também emocionante “Best of you” e saiu rapidamente do palco.

Na volta, o grupo tocou “The teacher” e Dave fez um último discurso, visivelmente emocionado com o carinho dos fãs curitibanos. “Muito obrigado a todos vocês que nos apoiam há 29 anos! Nós esperamos ver todos vocês a cada vez que nós voltarmos aqui. Nós esperamos que tenhamos ajudado vocês a sobreviver porque vocês nos ajudaram a sobreviver. Eu não vou dizer adeus porque, se vocês voltarem, nós também voltaremos. Eu não vou dizer adeus, eu vou dizer isso”, afirmou Dave Grohl antes de encerrar o show com “Everlong”.

Para os fãs, o show foi uma catarse coletiva que vai muito além de simplesmente ver a sua banda preferida tocando os grandes sucessos que fizeram com que essas pessoas se apaixonassem pelo grupo.

Realmente, o público que estava no Couto Pereira acredita que faz parte do universo do Foo Fighters, e isso é uma aliança indestrutível. “Eu cresci e envelheci escutando Foo Fighters! Acompanho a banda desde os primórdios, quando ficava esperando a rádio tocar a ‘Learn to fly’ para gravar em uma fita cassete. Ter a chance de ver tudo isso pessoalmente em Curitiba foi um privilégio que ficará guardado para sempre na minha memória e com a certeza que a banda recomeçou com mais paixão do que nunca!, diz o engenheiro Leonardo Enta, que não conseguiu assistir ao show do grupo em 2018, na Pedreira Paulo Leminski mas, dessa vez, não perdeu a oportunidade.

Ver ao vivo um show dos Foo Fighters faz o público perceber que a conexão e o respeito do artista para com o público que o acompanha ainda existe no mainstream, e isso é um alento para quem realmente ama o mundo da música.

Assista aos vídeos das músicas “Best of you” e “Aurora”, gravados ao vivo no show do Foo Fighters no Estádio Couto Pereira.

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Garbage e a majestade Shirley Manson

Antes do show do Foo Fighters, o Garbage presenteou o público curitibano com uma daquelas apresentações marcantes, que ficam eternamente na memória dos fãs.

Shirley Manson (vocal), Steve Marker (guitarra), Duke Erikson (guitarra, baixo e teclados) e Butch Vig (bateria) abriram o show com “Supervixen”, “The men who rule the world” e “Wolves”.

Trajando um “meio-vestido” cor-de-rosa, que só cobria a parte frontal do corpo da cantora, Manson encantou o público com muita simpatia e domínio do show.

Na verdade, ela é uma das mulheres mais representativas dentro da música mundial desde os anos 1990, pois poucas vocalistas demonstram tanta personalidade no palco.

Além disso, Shirley ainda mantém uma voz afinada e costuma abordar temas bem pessoais nas letras, com a nítida intenção de gerar uma reflexão profunda nos fãs.

É o caso de “No gods, no masters”, que fez parte do setlist do show. “Seja gentil, cuidado. Seja bom, não tenha medo. Nada dura e ninguém permanece o mesmo para sempre. Então, aceite a mudança”, diz a letra.

Musicalmente, o Garbage faz uma fusão sonora poderosa, com guitarras pesadas e encaixadas cuidadosamente no andamento das canções, aliadas a sintetizadores e samplers que entram sorrateiramente nas faixas para criar um clima mais denso.

Tudo isso sob uma clara aura Pop de extremo bom gosto.O repertório do show teve até uma versão para o clássico “Cities in dust”, da banda britânica Siouxsie And The Banshees, que o Garbage gravou no EP “Witness To Your Love” (2023).

No meio do show, Shirley falou sobre a ligação profunda que o Garbage tem com os Foo Fighters.

O interessante é que essa conexão começou a ser criada antes do próprio início das duas bandas, afinal, Vig produziu simplesmente o histórico “Nevermind” (1991), do Nirvana. Além disso, ele também foi o produtor do CD “Wasting Light” (2011), do próprio Foo Fighters.

Butch também produziu alguns dos álbuns e EPs mais importantes dos anos 1990, entre eles, “Broken” (1992), no Nine Inch Nails, e “Siamese Dream” (1993), dos Smashing Pumpkins.

Porém, mesmo com esse histórico paralelo entre as trajetórias dos dois grupos, estranhamente, ficou muito nítido que poucos fãs da banda de Dave Grohl conheciam de fato o trabalho do Garbage.

Em termos de conexão com o público, os pontos altos do show foram “Stupid girl” (a canção que tornou o Garbage conhecido no Brasil, impulsionada por um clipe que rodou incessantemente na MTV), “Only happy when it rains” e “I think I’m paranoid”.

“Push it”, faixa do álbum “Version 2.0” (1998), encerrou a apresentação. Para quem não conhecia o grupo, certamente, o cartão de visitas foi certeiro.

Assista aos vídeos das músicas “Stupid girl” e “Only happy when it rains”, gravados ao vivo no show do Garbage no Estádio Couto Pereira.

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Wet Leg: inocência, microfonia e belas melodias

Dave Grohl acredita que a banda britânica Wet Leg, que abriu a noite de shows nessa quinta-feira (7) no Estádio Couto Pereira, em Curitiba, será o próximo nome a estourar dentro da música mundial.

A previsão ganhou um reforço no Grammy Awards de 2023, quando o Wet Leg recebeu o prêmio de “Melhor Álbum de Música Alternativa” pelo trabalho de estreia, autointitulado, lançado no ano anterior.

Além disso, a canção “Chaise long” ganhou na categoria “Melhor Desempenho de Música Alternativa”. Nada mal para uma banda que tem apenas quatro anos de vida.

O fato é que o grupo, formado em 2019 na Ilha de Wight, na Inglaterra, por Rhian Teasdale (vocal e guitarra) e Hester Chambers (guitarra e backing vocals), realmente, parece ter um futuro promissor.

Nos shows, a dupla é acompanhada por Josh Mobaraki (guitarra, sintetizador, backing vocals), Ellis Durand (baixo) e Henry Holmes (bateria), mas eles não fazem parte “oficialmente” do grupo.

Na capital paranaense, o Wet Leg abriu o show com o hit underground “Being in love” (que reflete bem o pensamento musical da banda), seguido por “Wet dream” e “Supermarket”.

Musicalmente, o Wet Leg é uma miscelânea de influências que vão das Guitar Bands dos anos 1980/90 (Lush, The Jesus and Mary Chain, Sonic Youth) até grupos como o New York Dolls e os trabalhos mais Pop de David Bowie.

Todas essas referências são muito bem diluídas por Thian e Hester e isso se reflete no trabalho de guitarra das duas instrumentistas, que é muito bom e alterna linhas criativas com climas pesados e melódicos.

Durante a apresentação, Teasdale se comunicou com o público de uma maneira bem descontraída e, ao mesmo tempo, tímida, o que não deixa de ser uma das grandes características das bandas Indies desde a década de 1990.

“Chaise long” encerrou a apresentação e, ao que parece, pela recepção do público, o Wet Leg pode pintar em solo brasileiro na próxima turnê, que começa só no dia 13 de junho de 2024 com um show na cidade de Manchester, na Inglaterra.

Assista aos vídeos das músicas “Chaise long” e “Being in love”, gravados ao vivo no show do Wet Leg no Estádio Couto Pereira.

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