Dinho Ouro Preto e a conexão do Capital Inicial com o público curitibano
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A banda se apresenta na capital paranaense nesta sexta-feira (30), no Cine Lido
Após o enorme sucesso da turnê que celebrou os 20 anos do “Acústico MTV”, álbum que recolocou o Capital Inicial no mainstream da música brasileira nos anos 2000, o grupo de Brasília está iniciando uma nova etapa na carreira.
Nesta sexta-feira (30), a banda se apresenta no Cine Lido, em Curitiba, já com a nova turnê, batizada de “Música Urbana”, retomando o peso das guitarras no palco.
O nome faz referência ao primeiro single do álbum de estreia do Capital Inicial, autointitulado, lançado em 1986, que está completando 40 anos, mas também tem um significado muito pessoal para o vocalista Dinho Ouro Preto. “Quando eu era garoto, achava que o que fazíamos era um contraponto ao que nos acostumamos a ver na ‘música brasileira’. Mas eu olhava em volta e pensava: nasci em Curitiba, cresci em Brasília, moro em São Paulo há décadas e nunca morei perto do mar. Eu sou um ‘urbanoide’ por definição. Praia, areia e mar, tudo isso é maravilhoso, mas não é parte de mim. Eu sou do asfalto, do trânsito, do concreto. Minha origem, a música que ouço e que faço são outras. É música urbana”, explica.
Nos primeiros anos de vida do Capital Inicial, o desafio que a banda enfrentou foi gigantesco. Afinal, nos anos 1980, a cena musical brasileira era centralizada no eixo Rio-São Paulo.
Pouquíssimas bandas fora dessas duas capitais conseguiam sequer lançar um disco, quanto mais receberem um investimento maciço das grandes gravadoras para que se tornassem conhecidas no país.
É preciso lembrar que, até a metade dos anos 1990, era praticamente impossível ser um artista independente no Brasil, pois as grandes gravadoras controlavam todo o mercado.
Entretanto, com o boom do rock brasileiro causado principalmente pelo primeiro Rock in Rio, em 1985, algumas cidades no país conseguiram fortalecer suas respectivas cenas.
Foi o caso de Brasília em que bandas como o Capital Inicial, a Legião Urbana e a Plebe Rude conseguiram colocar a cidade nessa seleta lista. “Acredito que foi uma boa dose de sorte. Às vezes, acho que o acaso merece uma dose de crédito, porque pense: há talento no Brasil inteiro. Por que lá? Não só isso, por que todos da mesma turma? É realmente surpreendente”, analisa.
Apesar dessa “forcinha do destino”, um dos integrantes dessa cena se destacou não só como um artista de primeira grandeza, mas também como uma figura que fomentou toda essa realidade. “Acredito que outra parte da explicação vem de um lugar inesperado: o Renato Russo. Ele teve uma influência imensa na cena de Brasília, sem dúvida nenhuma sobre mim, mas acredito que na nossa turma, de modo geral, também. Acho que ele obrigou todas as bandas a sentarem e levarem mais a sério o que estavam fazendo. E talvez, já extrapolando, ele tenha tido esse efeito em todo o rock brasileiro. Enfim, eu acho que ele é o maior nome da minha geração, é a minha opinião. Acredito que ele é parte da explicação do sucesso das bandas de Brasília. Eu achava que tudo lá girava em torno dele”, complementa.

Do rock ao pop com a mesma maestria
Atualmente, as novas gerações conhecem o Capital muito por meio dos sucessos, entre eles “Natasha” e “Tudo que vai”, que mostram uma veia pop rock apuradíssima, fazendo com que a banda consiga transitar com maestria no limiar desses dois estilos.
Porém, o primeiro álbum do Capital tem uma pegada bem voltada ao punk, com canções agressivas e minimalistas, como “Veraneio vascaína” e “No cinema”.
Foi somente no trabalho seguinte, “Independência” (1987), à medida que a banda evoluía no mercado fonográfico e internamente em um processo natural, ela foi encontrando a própria sonoridade e essa abordagem começou a se tornar mais evidente. “Acho que já fizemos discos em diferentes direções, alguns mais pop e outros mais nervosos. Eu sou assim e meu gosto também. Não era, mas com o tempo foi ficando”, diz.
Aos 62 anos, as preferências musicais do vocalista são bem ecléticas e refletem toda bagagem cultural que ele adquiriu no mundo na música.
Ao mesmo tempo, a própria cena brasiliense, onde o punk e o pós-punk foram importantíssimos para a construção da identidade musical de toda aquela geração, teve uma influência muito forte. “Gosto do Black Pantera e dos Paralamas, de coisas suaves e também de coisas viscerais, e o Capital é assim. Temos discos como o ‘Acústico’, o ‘Eu Nunca Disse Adeus’ e o ‘Rosas e Vinho Tinto’, mas também temos discos como o ‘Saturno’, o ‘Aborto Elétrico’ e o ‘Sonora’. Tudo isso somado, por mais eclético que pareça, é o Capital. As canções novas que estou preparando para o nosso novo disco devem ser assim também, heterogêneas”, diz.
Nos anos 1980/90, ao mesmo tempo em que encontrava o próprio som, o Capital foi descobrindo que Curitiba era um porto seguro para a banda, pois, desde o início, o público curitibano abraçou o grupo de uma maneira muito próxima. “Sempre foi assim desde a época do Aeroanta (antiga casa de shows). Não sei bem como explicar. Talvez seja porque eu sou curitibano ou talvez porque a cidade é tão roqueira. O que eu posso dizer com certeza é que sempre fomos recebidos de braços abertos e retribuímos, criando uma conexão entre nós que faz dos shows na cidade serem épicos, únicos”, conta.
Realmente, essa sinergia faz com que as apresentações da banda em Curitiba sejam marcantes para o público, independentemente da geração.
Boa parte dos fãs se lembra, por exemplo, da banda tocando “Primeiros erros” no cenário inigualável da Pedreira Paulo Leminski, nos diversos shows que eles fizeram por lá, quando todo o público acende as luzes dos celulares e participa do espetáculo ao lado do grupo. “É realmente uma experiência intensa e quem vai, sempre volta. Na verdade, acontece o mesmo comigo. Conheço bem a cidade, adoro os restaurantes, aprendi a nadar no Thalia e tenho bons amigos por aí. A conexão entre o Capital e Curitiba é real e recíproca”, finaliza Dinho Ouro Preto.
Serviço
Os ingressos para o show desta sexta-feira (30) no Cine Lido estão à venda na plataforma Ticket Master, com valores a partir de R$ 180,00 + taxa administrativa (meia-entrada, plateia superior, lote 2).
A meia-entrada é válida para idosos, estudantes, professores de ensino público e privado, portadores de câncer, pessoas com deficiência (e acompanhante, quando necessário) e doadores de sangue.
Na compra do ingresso e na entrada do local, é obrigatória a apresentação do documento previsto em lei que comprove a condição do beneficiário.
A casa abre às 19h e o show começa às 22h. A classificação etária é livre.
O Cine Lido fica na Rua Desembargador Ermelino de Leão, 160, Centro.
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