Texto: Marcos Anubis
Fotos: Camila Kovalczyk

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Algumas bandas fazem questão de estar bem próximas aos fãs, fugindo do pedestal midiático que muitos artistas preferem se colocar. Esse é o caso do grupo carioca Biquini Cavadão, que se apresentou nesse sábado (7) na 2ª edição do festival Prime Rock Brasil, que aconteceu na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba. Na ativa desde 1985, a banda construiu uma história de muito respeito ao público e isso ficou muito claro na Pedreira.

Bruno Gouveia (vocal), Carlos Coelho (guitarra), Miguel Flores da Cunha (teclado) e Álvaro “Birita” Lopes (bateria), acompanhados por Marcelo Magal (baixo) e Walmer Carvalho (saxofone, flauta e percussão), abriram o show com “Tédio”, um dos maiores clássicos do Rock brasileiro dos anos 1980, “Impossível” e “Aonde quer que eu vá”, dos Paralamas do Sucesso.

Apesar de ter muitos fãs na capital paranaense e de ter realizado inúmeros shows em Curitiba nas quase quatro décadas de vida do grupo, essa foi o primeira apresentação do Biquini na Pedreira. Para comemorar essa ocasião tão especial, a banda preparou um setlist com músicas de todas as fases da carreira, entre elas, “Timidez”, “Daniela”, “Vento ventania” e uma versão para “Carta aos missionários”, do Uns e Outros.

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O Biquini faz parte de uma geração que tratava as letras das canções com tanto cuidado quanto as músicas. O mais interessante é que isso não era um fenômeno isolado porque, de bandas consagradas como a Legião Urbana, a Plebe Rude ou o RPM aos mais undergrounds como o Violeta de Outono, o Hojerizah e os Picassos Falsos, a maioria dos grupos daquela época apresentava letras excelentes. “Naquele momento nós tivemos uma ‘conjunção estelar’. Só para citar alguns nomes, ali estavam Arnaldo Antunes, Cazuza, Herbert Viana, Humberto Gessinger e Renato Russo compondo maravilhosamente bem. Sem contar alguns casos isolados de grandes composições. Quando eu ouvi o primeiro disco da Legião Urbana, eu falei pra mim mesmo que não poderia fazer nada que estivesse abaixo do que aqueles caras estavam fazendo”, disse Bruno no camarim, depois do show.

O vocalista ressalta que os artistas daquela época se desafiavam constantemente quando uma banda lançava um disco, no sentido de compor músicas que tivessem a mesma qualidade. “Eu acho que foi criada uma rivalidade muito positiva e isso foi muito bom porque todo mundo pensava ‘eu tenho que fazer uma música tão boa quanto essa’! Todos queriam fazer algo que não ficasse aquém da produtividade desses compositores”, complementa.

Em “Múmias”, faixa que abre o disco de estreia do Biquini Cavadão, “Cidades em Torrente” (1986), o vocalista do Nenhum de Nós, Thedy Corrêa, dividiu os vocais com Bruno Gouveia. Na gravação original, o dueto é com Renato Russo. O final do show, com o clássico “Zé ninguém”, não poderia vir deforma mais apoteótica com Bruno literalmente indo “pra galera”.

Inicialmente, o vocalista desceu do palco e foi cantar em frente ao público na área reservada aos fotógrafos. Não satisfeito, Bruno pulou a grade e foi carregado pelos fãs que estavam em frente ao palco. “Tocar na Pedreira era um sonho antigo que foi  realizado! Sem dúvidas, esse foi o show mais importante da nossa história em Curitiba! Nós fizemos apresentações históricas em outros locais como o Teatro Positivo e o Coração Melão, mas a gente queria ter essa sensação de tocar para um número tão grande de pessoas e a ficha cair ao mesmo tempo para todos. Nós conseguimos isso hoje e eu acho que todo mundo saiu com uma impressão muito positiva”, finalizou Bruno.

Confira a entrevista do vocalista Bruno Gouveia, o vídeo da música “Zé ninguém”, gravada ao vivo na apresentação do Biquini Cavadão na Pedreira Paulo Leminski, e veja o nosso álbum de fotos do show.

Biquini Cavadão - Prime Rock Brasil 2019 - Pedreira Paulo Leminski - 7/12/2019