Texto: Marcos Anubis
Fotos e revisão: Pri Oliveira

MODELO CAPA 2

O Pop, apesar de ser um estilo mais acessível ao público em geral, sempre teve nomes que souberam transformar simplicidade em arte. Nas últimas décadas, com a música caminhando cada vez mais para um comércio puro e simples, a missão de mostrar que, na música, popularidade e qualidade não são incompatíveis está restrita a poucos.

Nessa sexta-feira (31), os curitibanos lotaram a Pedreira Paulo Leminski para ver James Taylor (69) e Elton John (70), dois artistas que, de maneiras diferentes, ainda estão na linha de frente do Pop.

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Paz e amor

O cantor, músico e compositor americano James Taylor foi o primeiro a se apresentar. Com quase 50 anos de carreira, James continua tendo um público que o acompanha fielmente.

“Wandering” abriu o show. Na sequência, antes de “Everyday” (cover de Buddy Holly), James abriu um caderninho que havia trazido do camarim e leu algumas frases em português. “Estou muito feliz por estar no Brasil mais uma vez. Lamento dizer que eu quebrei meu dedo e não posso tocar guitarra (violão). Merda!”, disse, arrancando aplausos e risos da plateia.

Apesar do acidente, James foi muito bem assessorado pela All Star Band, composta por Walt Fowler (trompete e teclado), Larry Goldings (piano e teclado), Jim Cox (piano), Jimmy Johnson (baixo), Blue Lou Marini (saxofone), Michael Landau (guitarra), Luis Conte (percussão), Dean Parks (guitarra e violão), Steve Gadd (bateria), Arnold McCuller, Kate Markowitz e Andrea Zonn (backing vocals). Uma curiosidade é que Lou Marini também integrou os Blues Brothers, banda dos comediantes John Belushi e Dan Aykroyd. Ele aparece, inclusive, no filme “Os irmãos cara de pau”.

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Folk, sensibilidade e superação

A carreira musical de James começou em 1968, quando ele se mudou para Londres e foi contratado pela Apple Records. Seu primeiro álbum, autointitulado, foi lançado no mesmo ano e teve a participação de Paul McCartney e George Harrison na canção “Carolina in my mind”. O disco foi gravado no Trident Studios, em Londres, entre as sessões do álbum branco dos Beatles.

A partir daí sua carreira foi tomando forma, principalmente depois do álbum “Sweet Baby James” (1970). No início da década de 1980, James teve que superar a separação de sua esposa, Carly Simon, e a consequente depressão e mergulho no seu já recorrente vício em heroína.

James se tornou conhecido no Brasil após a sua apresentação no primeiro Rock in Rio, em 1985. Suas canções calmas, com temas que falavam de amor de forma poética, conquistaram muitos fãs.

Um deles foi o professor de português Cleverson Becker (45), de Curitiba. “Eu comecei a gostar dele por causa da melodia e por ele tocar o próprio violão. Quando fui atrás das letras, vi que elas mostravam que nenhuma situação ruim dura para sempre. Que você deve ver a beleza em coisas simples da natureza, como um pôr do sol”, conta Cleverson.

A forma emotiva com que James Taylor expressava seus sentimentos por meio das canções acabou chamando a atenção de Cleverson, que na época tinha apenas 13 anos de idade. “Acho que ele faz um Folk menos ‘cabeça’ do que o Bob Dylan. Acredito que as músicas do James, hoje, sejam uma tentativa de resposta ao imediatismo atual, a essa necessidade do moderno. Você pode ser feliz apenas com o que tem, com o que é necessário. Basta apenas nós percebermos isso”, analisa.

O setlist do show incluiu “Today, today, today”, canção de seu mais recente álbum, “Before This World” (2015), e também grandes sucessos de sua carreira, entre eles “Fire & rain” e “Only a dream in Rio”.

James também apresentou duas músicas de sua ex-parceira, a cantora e compositora Carole King: “Up on the roof” e “You’ve got a friend”, que se tornou um de seus maiores sucessos.

“Shed a little light” encerrou a apresentação. “Eu achei o show muito bom. Faltaram algumas músicas, mas isso é subjetivo, pois todo fã tem o seu setlist ideal. Eu gostaria de vê-lo acompanhado de seu violão, mas o acidente o impossibilitou de tocar. Mesmo assim, apenas com sua voz, ele tornoua noite inesquecível”, finaliza Cleverson.

Veja dois vídeos da apresentação e confira, também, o nosso álbum de fotos.

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Mr. Fantastic

Elton entrou no palco da Pedreira Paulo Leminski com a banda já tocando “The bitch is back” e foi ovacionado pelo público. Vestindo uma capa preta com detalhes em vermelho, coberta de lantejoulas, ele saudou a plateia e foi direto para o belíssimo piano de cauda longa que havia sido cuidadosamente polido minutos antes.

Durante o show, Elton esteve muito bem acompanhado por Nigel Olsson (bateria), Davey Johnstone (guitarra e backing vocal), John Mahon (percussão), Kim Bullard (teclados) e Matt Bissonette (baixo e backing vocal).

Nigel, aliás, tem um currículo invejável. Ao lado de Elton, ele gravou 177 músicas em 17 álbuns de estúdio, três ao vivo e duas trilhas sonoras.

O primeiro grande momento do show aconteceu quando Elton tocou “I guess that’s why they call it the Blues”, canção que fez muito sucesso no Brasil na década de 1980. Na sequência, os mega-hits “Rocket man” e “Tiny dancer” foram o ponto alto da apresentação, assim como a belíssima “Skyline pigeon”, que levou os fãs mais ardorosos às lágrimas.

O setlist do show incluiu músicas que retrataram bem os 50 anos de carreira de Elton John, entre elas, “Sad songs (Say so much)” e “Goodbye yellow brick road”. Ele também apresentou “Looking up”, música de seu mais recente álbum, “Wonderful Crazy Night” (2016).

Em “Don’t let the sun go down on me”, parceria de Elton com George Michael, uma grande imagem do cantor inglês, falecido no final do ano passado, foi exibida no telão e emocionou os fãs.

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Cinco décadas de talento e renascimento

Antes de 1967, Elton John ganhava a vida como músico de estúdio, emprestando o seu talento para gravações de outros artistas. Naquele ano, ele respondeu a um anúncio que a gravadora Liberty Records publicou no tabloide inglês New Musical Express, procurando novos talentos.

Por meio do anúncio, Elton conheceu o letrista Bernie Taupin, que se tornaria seu principal colaborador. Nascia ali uma parceria que dura até hoje e rendeu grandes sucessos, entre eles, “Daniel” e “Your song”.

A apresentação na Pedreira Paulo Leminski reuniu fãs de todas as idades. Uma delas foi a gerente de conteúdo Camila Reimann (28) que foi ao show acompanhada por sua mãe, Suely (58). “A minha mãe sempre ouvia os discos dele e me mostrava. Eu tinha uns dez anos quando descobri que gostava, independentemente dela. Me encantei com ‘Your song’, quis aprender a cantar e acabei ouvindo essa música sem parar durante alguns meses, para o azar de todo mundo em casa (risos). Hoje, ele é uma paixão da minha vida”, diz Camila.

O ápice da carreira de Elton começou nos anos 1970, quando “Your song”, estourou nos Estados Unidos. Seu primeiro show nos EUA aconteceu no dia 25 de agosto de 1970, no clube Troubadour, em Los Angeles, para apenas 250 pessoas.

Mas a trajetória de Elton John não foi construída só por momentos felizes. Dentro do mundo do Rock, inúmeros artistas enfrentaram problemas com drogas e álcool. A lista é infinita e inclui Keith Richards, Ozzy Osbourne e Layne Staley (Alice in Chains), entre outros. Alguns sobreviveram, mas outros foram levados pelo vício.

Elton também teve o seu inferno. Após enfrentar e sobreviver ao vício em drogas, ele voltou em 1983 com o hit “I’m still standing”, uma espécie de afirmação de que sua carreira não havia chegado ao fim.

Depois de “Saturday night’s alright for fighting”, Elton voltou para tocar “Candle in the wind”, canção que se tornou uma espécie de hino em 1997, quando a Princesa de Gales, Diana, morreu em um acidente de carro. Ao fundo, o telão exibia três grandes velas acesas que compunham o cenário tocante.

“Crocodile Rock” encerrou a apresentação com Elton saindo rapidamente do palco sob os aplausos do público. “O show foi incrível! Até o James Taylor, que eu não estava tão animada para ver, me surpreendeu positivamente. O cara deu um show de carisma. E o Elton desceu a lenha naquele piano com uma energia maravilhosa. Ele tem uma voz incrível”!, afirma Camila.

Veja dois vídeos do show e confira, também, o nosso álbum de fotos.